08/06/2011 - 16:26
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Peru

Vargas Llosa revela que Fujimori tem benefícios na prisão

Entre os privilégios do ex-ditador peruano estaria um jardim de orquídeas e autorização para receber até 300 visitas ao dia

O escritor Mario Vargas Llosa em Oxford, Inglaterra, em 2009

Mario Vargas Llosa: "Fujimori goza de benefícios indevidos. Está em uma prisão dourada, onde chegou a receber 300 visitas ao dia e tem um jardim para cultivar orquídeas e rosas" (David Levenson/Getty Images )

O prêmio Nobel de Literatura peruano, Mario Vargas Llosa, revelou, nesta quarta-feira, que o ex-ditador Alberto Fujimori usufruiu de "benefícios indevidos" em sua prisão. O escritor também se mostrou a favor de que Fujimori seja transferido a um centro penitenciário comum. "Fujimori goza de benefícios indevidos. Está em uma prisão dourada, onde chegou a receber 300 visitas ao dia e tem um jardim para cultivar orquídeas e rosas", afirmou o escritor em uma entrevista ao jornal chileno El Mercurio, publicada nesta quarta.

Llosa sustentou que Fujimori, condenado a 25 anos de detenção por violações aos Direitos Humanos, cumpre pena em uma "prisão de piada" onde tem privilégios que lhe parecem "absolutamente incompatíveis" com os crimes que levaram à sua condenação. Durante a campanha eleitoral peruana, o escritor apoiou o nacionalista Ollanta Humala, que no domingo venceu Keiko Fujimori, filha do ex-ditador.

O Nobel de literatura manifestou apoio às declarações do vice-presidente eleito, Omar Chehade, que, na segunda-feira passada, defendeu a transferência de Fujimori do quartel policial em que cumpre pena para uma prisão comum. "Não pode ser um mau sinal para o eleitorado que as leis sejam cumpridas", disse Llosa, que denunciou ainda que o ex-governante dirigiu a campanha eleitoral da filha da prisão.

Eleição - Sobre a disputa eleitoral do último domingo, Llosa considerou que a vitória de Humala se deveu à moderação de sua mensagem e à "rejeição crescente à possibilidade da ditadura de Alberto Fujimori ressuscitar com sua filha". 

Apesar de seu apoio ao candidato nacionalista durante a campanha, o escritor ressaltou que não hesitará em criticá-lo se ele descumprir suas promessas eleitorais. "Quando houve governos que descumpriram seu compromisso de respeitar a democracia, de defender a legalidade e a liberdade, saí à frente para criticá-los. Nisso tive uma coerência absoluta e voltarei a agir assim, se for esse o caso", finalizou.

(Com agência EFE)

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