Estados Unidos
Empresa proprietária de plataforma culpa BP por vazamento de petróleo no Golfo do México
Investigação da Transocean contraria relatórios de autoridades americanas
Explosão de plataforma de petróleo no Golfo do México provocou batalha judicial entre as empresas Transocean e BP (Justin E. Stumberg/Getty Images)
A Transocean, proprietária da plataforma petroleira Deepwater Horizon, que explodiu em abril de 2010 provocando a maior maré negra da história dos Estados Unidos, publicou nesta quarta-feira um relatório em que responsabiliza a companhia British Petroleum (BP) por ter potencializado os riscos de acidentes. A explosão deixou 11 mortos e provocou prejuízos milionários.
O documento é resultado de uma investigação da Transocean, contrariando dois relatórios anteriores feitos por agências governamentais dos Estados Unidos, que colocaram uma grande parte da responsabilidade pelo desastre sobre a companhia. "O informe conclui que o incidente com o poço Macondo é o resultado de uma sucessão de decisões que comprometeram a integridade da plataforma", explica a Transocean em seu comunicado.
O incidente provocou uma verdadeira batalha jurídica entre as empresas envolvidas. Em abril, a BP anunciou um processo contra o grupo Transocean, acusando-o de negligência. Pouco depois, esse segundo anunciou sua intenção de processar a petroleira britânica.
Negligência - Nesta quarta-feira, a Transocean afirmou que o desenho do poço, a construção e outras decisões tomadas pela BP nas duas semanas que antecederam o incidente, agravaram a probabilidade do desastre. Além disso, a BP não teria tomado todas as medidas de segurança necessárias porque o custo seria muito elevado.
Outra empresa culpada pelo incidente, segundo a investigação da Transocean, seria a Halliburton, responsável pelo cimento usado para selar o poço. Ela e a BP não teriam testado adequadamente o programa de pasta de cimento, apesar dos riscos associados com o desenho do poço.
Histórico - Em janeiro de 2011, uma comissão formada por autoridades americanas divulgou um relatório em que culpava pelo desastre a má administração da BP, a Transocean e a Halliburton. Segundo essa investigação, o incidente é resultado de decisões arriscadas das empresas envolvidas, que queriam cortar custos e acabaram colocando a segurança em segundo plano.
O poço da BP explodiu e afundou em 22 de abril de 2010, matando 11 pessoas. Ao menos 4,9 milhões de barris de petróleo foram derramados no mar antes de o vazamento ser estancado. A maré negra se espalhou, sem controle, por 87 dias no acidente que se transformou em um desastre ecológico que afetou a costa de quatro estados americanos.
Engenheiros da BP interromperam o derramamento em 15 de julho, com uma cúpula localizada na entrada do poço. Mas, o local só foi selado de maneira definitiva em setembro de 2010. O vazamento reduziu em cerca de 70 bilhões de dólares o valor de mercado da petroleira e levou a empresa a substituir seu então presidente-executivo, Tony Hayward, pelo norte-americano Bob Dudley.
(Com agências Estado e France-Presse)




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