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Recuperação será lenta e dolorosa, dizem economistas

12/02/2009 08:58

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Por André Pontes

A última edição do relatório Perspectivas para o Crescimento Global, do Fundo Monetário Internacional (FMI), prevê que a economia global crescerá apenas 0,5% em 2009. De acordo com o documento, divulgado no mês passado, será o menor crescimento da economia desde a II Guerra Mundial, encerrada há mais de 60 anos. Economistas consultados por VEJA.com acreditam que o pequeno crescimento econômico deste ano deverá acentuar ainda mais os problemas nos países subdesenvolvidos e afirmam que será mais difícil para o mundo se recuperar da atual crise financeira do que na década de 1940, no pós-guerra.

Para o economista Frederico Turolla, professor da Escola Superior e Propaganda e Marketing (ESPM), não se deve comparar as duas épocas. "Estamos olhando para dois mundos diferentes. Os dados frios dizem que o mundo, do ponto de vista econômico, está igual ao tempo da II Guerra, mas a realidade atual é outra", afirma ele. Depois da II Guerra, o mundo enfrentou um período duríssimo, com capital escasso e economia debilitada. Num segundo momento, porém, a economia dos períodos pós-guerra tende a se recuperar rapidamente. E foi o que aconteceu depois do confronto sem precedentes ocorrido entre 1939 e 1945.

"Muita gente atribui este fenômeno ao Plano Marshall, mas na verdade essa é uma recuperação econômica que viria mesmo sem o plano. Um decréscimo vem seguido de um crescimento muito rápido depois de um mundo em guerra, em destruição", explicou o economista. Já na atual conjuntura, o mundo vem de várias décadas seguidas de crescimento, com uma taxa muito acima do seu potencial real, e uma hora faltaria crédito para pagar as dívidas. "Depois dessa explosão toda, agora estamos devolvendo", diz Turolla. "É mais ou menos o oposto de um mundo em guerra, com outras variáveis", completou o economista.

Nova ordem - A professora de economia Celina Ramalho, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), concorda com Turolla e diz que depois da tormenta vem a bonança. "Tivemos a tormenta da Guerra e depois a bonança dos anos 1980, com o crescimento da tecnologia, informática e biologia. Já tivemos uma reordenação na economia mundial, com produtos mais baratos que antigamente. Hoje compramos um carro sul-coreano com garantia de cinco anos e muito mais barato que um americano. A bonança aconteceu e hoje estamos sofrendo a tormenta. Temos que parar e pensar em como será a nova ordem mundial", afirmou ela.

O crescimento de apenas 0,5% da economia global deverá trazer muitos problemas até para os países desenvolvidos. Também deve implicar numa perda de qualidade de vida da maioria dos habitantes do planeta. "Certamente os estados centrais tomarão medidas para se manterem ricos. Com isso, sobrará mais miséria para os países pobres", diz Celina Ramalho. De acordo com o professor Frederico Turolla, 2009 será um ano em que milhões de pessoas cairão de padrão de vida. "Como a população cresce numa quantidade maior do que o meio ponto percentual da economia, este certamente será um ano de muitas perdas."

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