Internacional
Conselho de Direitos Humanos
ONU votará projeto de resolução sobre Irã na quinta-feira
Texto, obtido pelo site de VEJA, pede envio de relator sobre direitos humanos à República Islâmica
O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) vota nesta quinta-feira um projeto de resolução, pedindo o envio de um relator especial da entidade ao Irã para verificar violações de direitos humanos no país. O documento, obtido pelo site de VEJA, também lamenta a falta de cooperação que a República Islâmica tem mostrado nessa área e pede que ela ajude no trabalho do relator, franqueando-lhe acesso a todas as informações necessárias. A votação ocorre no penúltimo dia da 16ª reunião do Conselho, realizada desde o final de fevereiro em Genebra.
Mudança de política externa - O Brasil - que nos últimos oito anos vinha apoiando violadores contumazes dos direitos humanos, como o próprio Irã - deu diversos sinais de que vai corrigir este erro e votar a favor da resolução. Em 7 de março, a missão brasileira da ONU em Genebra homenageou a vencedora do Prêmio Nobel da Paz e crítica ferrenha do regime iraniano, Shirin Ebadi, oferecendo-lhe um almoço.
“Por uma questão de princípios e pela maneira como a ONU trabalha, as pessoas não fazem promessas umas às outras fora das sessões oficiais”, disse Ebadi ao site de VEJA, na ocasião, sobre o encontro com a embaixadora do Brasil junto à ONU em Genebra, Maria Nazareth Farani de Azevedo. “O que eu posso dizer é que, para todos os efeitos, nós concordamos em tudo."
Três dias depois, a missão brasileira fez uma declaração enfática no Conselho, condenando a intolerância religiosa no mundo. Entre os pontos citados no documento oficial, estava a discriminação contra a fé Bahá’í, perseguida de maneira sistemática pelo regime iraniano. A religião, que surgiu na Pérsia antiga, conta hoje com 7 milhões de adeptos em 178 países do mundo, inclusive no Brasil.
Outros sinais - Mesmo antes de sua posse, a presidente Dilma Rousseff já vinha sinalizando uma mudança na política externa do Brasil. Em uma entrevista concedida ao jornal americano The Washington Post, em dezembro do ano passado, ela condenou o apedrejamento no Irã e qualquer outro tipo de "prática ‘medieval’ contra mulheres”. A declaração, que foi festejada por líderes internacionais, marcou uma mudança de postura em relação ao governo anterior. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se referia ao homólogo iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, como “seu amigo”.
Direitos humanos - Além dos Baha’is, que têm 69 integrantes presos no Irã, o regime islâmico também colocou atrás das grades diversos estudantes, jornalistas, advogados, e líderes sindicais. De acordo com a Anistia Internacional, mais de 100 prisioneiros foram executados só neste ano no país.




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