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Reportagens mostram o medo e o risco das grandes epidemias

Antes do surto de Gripe Suína com qual nos deparamos neste mês de abril de 2009, o mundo conheceu inúmeras outras epidemias que assolaram vários países. Por mais que a bacteriologia e a virologia tenham avançado com o tempo, o número de micróbios desconhecidos ou mutantes ainda continua grande, e o ser humano foi surpreendido não poucas vezes por surtos de doenças causadas por eles. Ao longo da história da humanidade, muitos momentos foram marcados pelo pânico e mortes em grande escala.

Uma das mais antigas epidemias do planeta foi a chamada Praga de Atenas, que assolou a cidade em 429 a.C.. A doença misteriosa matou o líder militar Péricles no período de maior esplendor da civilização grega e um quarto da população da capital do país. Em 1999, médicos e historiadores finalmente conseguiram diagnosticar de forma mais clara a doença, chegando à conclusão de que os atenienses foram vítimas de uma epidemia bacteriana de tifo.
 

Existente pelo menos desde o início da Idade Média, o vírus da Varíola foi causa de epidemias mortíferas e já matou quase 500 milhões de pessoas. Em 1980, a doença pôde ser vencida, graças à ação conjunta de cientistas e especialistas do mundo inteiro. Porém, em 2001, à ocasião do bioterrorismo, os Estados Unidos e países europeus retomaram a fabricação da vacina antivariólica, abandonada em 1984. Na época, um texto de VEJA questionou se a volta da vacinação contra a doença não seria uma derrota para médicos e cientistas que acreditavam no progresso da ciência.
 

A Peste Negra, ou Peste Bubônica, foi a maior epidemia da história da humanidade, chegando a ser considerada uma pandemia. Durante o século XIV, principalmente entre 1347 e 1350, a bactéria causadora da doença matou quase um terço da população européia e proporções semelhantes também em outras regiões do mundo. Após a epidemia, a doença não desapareceu e continuou provocando surtos de tempos em tempos. Em 1972, a Peste ainda preocupava autoridades brasileiras, com o surgimento de 32 casos no Ceará, como mostra uma nota de VEJA.

A Malária é uma das doenças infecciosas mais comuns e um enorme problema de saúde publica. Ela mata dois milhões de pessoas por ano, sendo a principal parasitose tropical e uma das mais freqüentes causas de morte em crianças nesses países. Desde 1600, quando surgiu a doença, não se conhece uma vacina contra ela, mas várias tentativas foram feitas nesse período. Uma matéria de VEJA de 1998 mostra como funcionaria uma vacina de DNA desenvolvida na época para combater a Malária.

Cerca de 50 milhões de pessoas morreram em menos de dois anos (entre 1918 e 1919) com a chamada Gripe Espanhola. No Brasil, apenas no Rio de Janeiro, a epidemia matou 15 mil pessoas em um mês. Seu vírus causador começou a ser estudado por volta de 1930, quando um pesquisador inglês conseguiu isolar o vírus da gripe, o influenza. No entanto, só em 2006 os cientistas entenderam por que o vírus matou tantas pessoas: encontrou uma população abatida pela Primeira Guerra Mundial, desnutrida e sem hospitais ou medicamentos adequados.
 

A SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que ficou conhecida como pneumonia asiática, foi reportada pela primeira vez em fevereiro de 2003, no Vietnã, em um paciente vindo de Hong Kong. Nos meses seguintes, se espalhou para mais de 12 países na América do Norte, na América do Sul, na Europa e na Ásia, podendo ser considerada uma pandemia. Em maio do mesmo ano, os brasileiros temiam que a doença chegasse ao país, como mostra texto de VEJA.
 

Em matéria de 2000 da revista, o Ebola foi chamado de “pesadelo”. Capaz de liquidar suas vítimas em poucos dias, ele era considerado o mais violento de todos os vírus. De cada dez pessoas contaminadas por ele, nove morreram. A primeira epidemia da qual se tem notícia matou 500 pessoas em 1976, no Zaire (atual Congo). Dezenove anos mais tarde, um novo surto, com 245 mortes, chocou o mundo. O mesmo texto de VEJA explica, em box, como o código genético do micróbio da Cólera – que também gerou epidemias, sendo a primeira em 1817 – foi decifrado nos EUA.

O alarde sobre a iminência de uma pandemia da Gripe Aviária colocou o mundo em prontidão em 2005. O vírus causador da doença, o H5N1, já havia sido identificado em 1925 pelos cientistas. Em 1997 foi feito o primeiro registro oficial da gripe em humanos, e em 2003 a doença, que parecia não ser grande ameaça, voltou a atacar. Porém, foi em 2005 que novos focos de aves contaminadas sinalizaram que ele avançava sobre o Ocidente, tornando-se uma grande preocupação dos infectologistas. Em 2006, VEJA mostrou a expansão do vírus e o número de vítimas humanas causadas por ele.
 

O vírus da Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) já matou 25 milhões de pessoas mundialmente, desde o seu surgimento em 1959, no Congo. Em 1981, ela chegou aos Estados Unidos, e em 2005 já eram 40 milhões de contaminados no mundo. Apesar dos tratamentos antiretrovirais e cuidados em muitas regiões do planeta, o combate a Aids ainda é difícil, devido à mutabilidade do vírus. Em 1996, um coquetel de drogas já tentava barrar o avanço da Aids no organismo e oferecia uma esperança de cura.

Em 2005, VEJA fez um apanhado de epidemias que poderiam estar relacionadas a ações do ser humano. Segundo a reportagem, o rompimento do equilíbrio ecológico de uma região – como o desmatamento, o inchamento das cidades, a poluição das águas e o aquecimento global – é um dos principais fatores que propiciam a proliferação de moléstias.

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