Japão
Radiação é detectada em Tóquio e outras cidades
Reator nuclear 2 da usina nuclear de Fukushima pode estar danificado
Muitas prateleiras de comida instantânea em lojas de Tóquio estão vazias (Yoshikazu Tsuno / AFP)
Os níveis de radiação aumentaram nesta terça-feira em várias cidades japonesas, inclusive Tóquio. A população se prepara para permanecer em suas casas estocando água engarrafada, mantimentos e máscaras de proteção.
Na capital, a cerca de 270 quilômetros da usina, os níveis de radiação estão 20 vezes maior que o habitual e foram detectadas pequenas quantidades de substâncias radioativas como césio. Mas o governo garante que tais índices não implicam riscos imediatos para a saúde. Na província de Ibaraki, ao lado de Fukushima, em um determinado momento a radiação era de 5 microsievert por hora, 100 vezes mais que o habitual.
Sievert é a unidade que procura medir os efeitos biológicos da radiação, em vez dos efeitos físicos, que são mensurados por outra unidade, chamada 'gray'. Para se ter uma ideia, uma pessoa recebe em média uma exposição à radiação de aproximadamente 2,4 milisieverts por ano por fontes naturais. Já a exposição a mais de 100 milisieverts por ano pode levar ao câncer, segundo a Associação Nuclear Mundial.
Já na região em torno da usina, a radiação aumentou desde sábado, quando uma falha no sistema de refrigeração forçou a liberação de vapor radioativo de forma controlada. O nível está em 0,6 milisieverts por hora. Ou seja, nas condições atuais de radiação em Fukushima, uma pessoa terá mais chances de desenvolver um câncer após sete dias de exposição.
O governo japonês informou que a crise da usina nuclear de Fukushima, no nordeste do país, provocou escape de radiação que poderia afetar a saúde e recomendou aos moradores que vivem num raio de até 30 quilômetros de distância que fiquem em suas casas, desliguem os sistemas de ventilação e fechem as janelas.
Pânico - Apesar das garantias do governo municipal de que os baixos níveis de radioatividade detectados até o momento na capital japonesa "não são um problema", moradores e turistas decidiram que permanecer na cidade era simplesmente arriscado demais. Várias pessoas deixaram Tóquio nesta terça-feira e moradores permaneceram dentro de suas casas em meio a temores de que a radiação de uma usina nuclear atingida pelo terremoto de sexta-feira afete uma das maiores e mais densamente povoadas cidades do mundo.
Empresas retiraram seus funcionários de Tóquio, visitantes reduziram as férias e companhias aéreas cancelaram voos. A Administração de Aviação dos Estados Unidos informou que está se preparando para redirecionar rotas caso a crise nuclear se agrave. Aqueles que permaneceram na capital japonesa estocavam alimentos e outros suprimentos, temendo os efeitos da radiação, que levou pânico à cidade de 12 milhões de habitantes.
No principal aeroporto da cidade, centenas de pessoas se enfileiravam, muitas delas com crianças, para embarcar em voos deixando o país. "Não estou muito preocupado com um outro terremoto. É a radiação que me assusta", disse Masashi Yoshida, enquanto segurava a filha de cinco anos no aeroporto de Haneda. Turistas, como a norte-americana Christy Niver, deram um basta. Sua filha Lucy foi mais enfática. "Estou apavorada. Estou tão apavorada que preferia estar no olho de um tornado", disse. "Quero ir embora".
Cerca de oito horas depois de novas explosões acontecerem na usina, a agência meteorológica da ONU informou que os ventos estavam dispersando o material radioativo para o oceano Pacífico, distante do Japão e de outros países da Ásia. A Agência Meteorológica Mundial, sediada em Genebra, informou, no entanto, que as condições climáticas podem mudar.
Alguns cientistas fizeram apelos para que a população de Tóquio mantenha a calma. "O material radioativo vai chegar a Tóquio, mas ele é inofensivo ao corpo humano porque ele se dissipará até chegar a Tóquio", disse Koji Yamazaki, professor da escola de ciência ambiental da Universidade de Hokkaido. "Se o vento ficar mais forte, isso significa que o material voará mais rápido, mas também que dispersará ainda mais no ar".
(Com agência France-Presse e Reuters)




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