Internacional
Honduras
Presidente é retirado do país à força e Exército ocupa ruas
O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido neste domingo pelo Exécito e transferido para a Costa Rica. Horas depois do golpe, a Corte Suprema de Justiça afirmou, em comunicado, que a destituição de Zelaya resultou do cumprimento de uma "ordem judicial".
"A ordem foi emitida por juiz competente, e sua execução está dentro dos preceitos legais", assinalou a nota lida pelo porta-voz do poder judiciário, Danilo Izaguirre.
A Justiça também considera que, neste caso, "as Forças Armadas, como defensoras do império da Constituição, agiram em defesa do Estado de Direito, cumprindo as disposições legais contra quem se manifestou publicamente e agiu contra o estabelecido na Carta Magna".
A Justiça também ordenou a apreensão de todo o material eleitoral que havia sido distribuído no país para a realização de uma consulta considerada inconstitucional.
O presidente Zelaya havia decidido não ouvir a oposição generalizada das instituições do país e de grande parte da população, insistindo em realizar neste domingo um referendo sobre uma reforma constitucional que permitiria sua reeleição.
Os militares prenderam Zelaya no palácio presidencial. Ele foi levado para uma base aérea e depois trasladado à Costa Rica. Carros blindados e tanques saíram às ruas e aviões militares sobrevoavam a capital, Tegucigalpa.
Segundo testemunha ouvida pela Radiocadena Voces, quatro comandos de 200 soldados chegaram à casa do presidente às 06H00 (12H00 GMT).
Os militares deram "quatro tiros", saindo, depois, em três veículos.
Tanto o canal 36 quanto o canal 8 de televisão e o Maya TV (todos eles oficiais), assim como várias rádios saíram do ar. Momentos antes, o apresentador de notícias do canal 8 anunciou: "Parece que os militares estão vindo para cá".
Segundos antes de a imagem ser cortada, ele chegou a pedir à população para se concentrar na praça da Liberdade.
O canal de televisão Telesur, com sede em Caracas, noticiou em seguida que Manuel Zelaya foi levado para Costa Rica, uma notícia confirmada pela ministra costarriquenha de Segurança Publica, Janina del Vecchio.
Em entrevista ao canal de televisão Telesur, o próprio Manuel Zelaya, ao chegar à Costa Rica, denunciou ter sido vítima de um "sequestro", de "um golpe de Estado" e de um complô por parte de um setor do exército.
Em algumas regiões do país chegou a ser suspenso o abastecimento de energia elétrica.
Em Tegucigalpa, centenas de pessoas foram às ruas para gritar "queremos Mel", concentrando-se, aos poucos, ante a Casa Presidencial, fortemente protegida por dezenas de soldados e tanques.
Reação internacional -A União Europeia e o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, condenaram em comunicado a situação de Zelaya, o que foi seguido por uma nota do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que se disse "profundamente preocupado" com a detenção do presidente, pedindo a todas as partes que respeitem as "normas democráticas".
Bem mais cedo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciou o "golpe de Estado militar" em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya, e conclamou a comunidade internacional e movimentos sociais a condenarem esta "aventura" antidemocrática.
"Faço um apelo a organismos internacionais, a movimentos sociais, a presidentes a condenarem e repudiarem este golpe de estado militar em Honduras", disse Morales à imprensa, no palácio presidencial. "Já não estamos mais no tempo das ditaduras", acrescentou.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou o que chamou de um "golpe de Estado" contra Manuel Zelaya, e pediu um pronunciamento a respeito do presidente Barack Obama, porque "o império ianque tem muito a ver" com estes acontecimentos.
Disputa - No sábado, o presidente Manuel Zelaya prosseguia decidido a não ouvir a oposição generalizada das instituições do país e de grande parte da população, insistindo em realizar neste domingo uma consulta popular que autorizasse uma reforma constitucional permitindo sua reeleição.
As urnas e o material para a consulta, tachada de "ilegal" pela justiça, já estavam sendo distribuídos entre as 15.000 seções eleitorais de todo o país, confirmou o presidente.
Manuel Zelaya travava uma disputa política com o Congresso e com o Tribunal Supremo de Justiça pela realização do referendo e disse que somente o povo tinha a legitimidade de desautorizá-lo, ante de rumores de que as Forças Armadas estariam planejando um golpe de Estado. O Legislativo e o Judiciário do país consideram ilegal a realização da consulta popular e haviam pedido aos militares do país que desobedecessem as ordens do Executivo.
Em discurso transmitido em cadeia nacional pelas emissoras de rádio e TV, Zelaya apareceu acompanhado de lideranças que apoiavam a realização do referendo, entre elas representantes sindicais, camponeses, indígenas, estudantes.
A consulta deste 28 de junho perguntaria aos eleitores se concordavam ou não com a realização de um referendo em novembro para convocar uma Assembleia Constituinte, que elaborasse uma nova Carta Magna para o país.
Zelaya dizia que pretendia promover uma democracia participativa, que substituísse o atual modelo representativo. Já a oposição o acusava de procurar uma forma para permanecer no poder após o fim do seu mandato, no dia 27 de janeiro de 2010.
(Com agência France-Presse)




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