Oriente Médio
Premiê palestino condena ataque a quatro israelenses
Governo de Israel ordena buscas, mas que diz atentado não prejudicará processo de paz
Policiais israelenses reforçam a segurança em estrada após ataque que matou quatro colonos (AFP )
O primeiro-ministro palestino, Salam Fayad, condenou, nesta terça-feira, o ataque contra quatro colonos israelenses na Cisjordânia, e disse que a agressão "vai contra os interesses palestinos". Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou que as autoridades de seu país persigam os responsáveis. Os grupos Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e Brigada dos Mártires de Al-Aqsa, braço do Fatah, que domina a Cisjordânia, reivindicaram a autoria do ataque. O atentado ocorre às vésperas de uma reunião entre o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e Netanyahu , nos Estados Unidos, para relançar as negociações de paz entre israelenses e palestinos.
“O ataque na região de Hebron e o momento em que ocorre visam afetar os esforços feitos pela OLP - Organização para Libertação da Palestina - para mobilizar o apoio internacional às reivindicações palestinas para o êxito do processo político e sua capacidade de terminar com a ocupação (israelense) e conquistar a liberdade e a independência do nosso povo", lamentou Fayad em um comunicado. O premiê palestino ressaltou que ação é "contrária aos interesses nacionais palestinos" e ao objetivo da criação de um Estado palestino soberano nas fronteiras de 1967, tendo Jerusalém oriental como capital.
Já Netanyahu ordenou às forças de segurança de seu país que persigam os atiradores sem "restrições diplomáticas". Ele disse também que a violência não mudará as fronteiras do Estado judeu. "Não pode haver acordos sobre isso. O terrorismo não determinará as fronteiras nem o futuro de Israel".
O atentado, no entanto, não deve interromper as negociações de paz entre israelenses e palestinos, que terão início nesta quinta-feira, em Washington. Segundo funcionários do gabinete de Netanyahu, o cronograma segue normalmente.
Autoria disputada - As Brigadas Ezzedine al-Qassam, braço armado do movimento palestino Hamas, reivindicaram a autoria do ataque em um comunicado. Horas antes, militantes do grupo haviam elogiado a ação. "O Hamas aplaude o ataque e o considera uma resposta natural aos crimes da ocupação", disse Sami Abu-Zuhri, porta-voz do grupo radical em Gaza. "Brigadas Qassam assumem total responsabilidade pela operação em Hebron", completou o texto. O Hamas se opõe às negociações de paz entre palestinos e israelenses, mediadas pelos Estados Unidos.
A Brigada dos Mártires de Al-Aqsa - grupo radical ligado ao Fatah, que controla a Cisjordânia -, por sua vez, também reivindicou o atentado. "Esse ataque é uma resposta às contínuas agressões de Israel contra nossos lugares sagrados, às suas contínuas incursões em nossas cidades e à coordenação de segurança entre Israel e a ANP", disse pelo rádio um militante que se identificou como Abu Mahmoud.
O ataque - Pelo menos quatro israelenses morreram nesta terça-feira após um tiroteio em uma estrada perto da cidade de Hebron, na Cisjordânia. Dois homens e duas mulheres foram baleados às 19h30, no horário local (13h30 de Brasília), quando seguiam de carro em direção a um assentamento judaico. Uma das mulheres estaria grávida.
O tiroteio ocorreu às vésperas da retomada das negociações de paz no Oriente Médio, com mediação dos Estados Unidos. Netanyahu e Abbas devem encontrar-se com o presidente americano Barack Obama num jantar na Casa Branca nesta quarta-feira, para dar início, na quinta-feira, às conversações formais.
Esta será a primeira negociação direta - ou seja, sem intermediários – entre palestinos e israelenses em quase dois anos. O convite para o encontro foi feito pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em 20 de agosto.
"Convidei o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas para nos encontrarmos no dia 2 de setembro, em Washington, para lançar negociações diretas", disse Hillary na ocasião. "O objetivo é resolver todas as questões do estatuto final, que, acreditamos, poderá ser completado dentro de um ano". afirmou, referindo-se a itens como as fronteiras do futuro Estado palestinos, o status dos refugiados palestinos e o destino de Jerusalém.
Hillary já se encontrou, nesta terça-feira, com Abbas e também tinha uma reunião prevista com Netanyahu.
(Com Agências Estado e France-Presse)
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Comentários
isaac starosta
parabens aos norte-americanos que estão conseguindo promover encontro direto entre palestinos e israelenses
01.09.2010