Grã-Bretanha
Parlamento chama Murdoch a depor sobre escutas ilegais
Por enquanto, é só um convite, e o grupo emitiu nota dizendo que vai cooperar
Sorridente apesar da crise, Murdoch deixa sua casa em Londres aos flashs da imprensa (Leon Neal/AFP)
"Nós temos várias perguntas que queremos fazer aos três", destacou Tom Watson, do opositor Partido Trabalhista, referindo-se a Murdoch, o filho James e a ex-editora do 'News of the World'
Na esteira do escândalo das escutas ilegais do News of the World, o magnata Rupert Murdoch foi convidado para depor e explicar o caso ao Comitê de Cultura, Mídia e Esportes do Parlamento britânico. À audiência, marcada para a próxima terça-feira, ainda devem comparecer o filho dele e presidente do grupo News International, James Murdoch, e a ex-editora do tabloide Rebekah Brooks.
Por enquanto, trata-se apenas de um convite dos parlamentares para os representantes do conglomerado. Em comunicado, eles prometeram cooperar, mas se isso não acontecer, podem ser convocados oficialmente - neste caso, com a obrigação de comparecer à sessão. "Nós temos várias perguntas que queremos fazer aos três", destacou Tom Watson, do opositor Partido Trabalhista à rede britânica BBC.
A convocação aconteceu poucas horas depois de o ex-premiê britânico, Gordon Brown, acusar o grupo de manter ligações com o mundo do crime para expor detalhes de sua vida pessoal durante o período em que esteve no poder. Também falando à BBC, Brown defendeu ainda uma investigação por abuso de poder. A pedido do atual primeiro-ministro, David Cameron, o Parlamento iniciou uma investigação sobre as denúncias contra o News of the World, que teve sua última edição publicada no domingo passado.
Segundo a imprensa britânica, o escândalo das escutas telefônicas ilegais afetou Brown, que foi alvo de espionagem do jornal The Sunday Times e, possivelmente também, do tabloideThe Sun, ambos da empresa de Murdoch. Anos atrás, a publicação dominical divulgou uma notícia de que Brown teria comprado um apartamento do magnata de imprensa Robert Maxwell a preço bem abaixo do mercado. Segundo ele, o único objetivo da história que chamou de "equivocada" era derrubá-lo do cargo de ministro da Economia, que ocupou entre 1997 e 2007.
Histórico - Em 2006, foi revelado que alguns jornalistas do tabloide News of the World - que pertence ao grupo News Corp., de Murdoch - recorriam a grampos telefônicos ilegais para interceptar mensagens deixadas nas caixas postais de celulares de celebridades, políticos e até da família real, no intuito de conseguir alguma informação em primeira mão. Entre outros, foram interceptadas ligações da atriz Sienna Miller, do ex-vice-primeiro-ministro John Prescott, do príncipe William e sua mulher, a duquesa Catherine.
Na semana passada, a crise ganhou novas proporções após a divulgação de que, entre os telefones espionados, estava o de uma menina assassinada e de parentes de soldados mortos no Afeganistão e no Iraque. Segundo a polícia, calcula-se que até 4.000 pessoas possam ter sido alvos de espionagem pelo tabloide, campeão de vendas na Grã-Bretanha e que circulou por 168 anos.



Comentários
Marcos de Almeida
Se fosse aqui a imprensa nativa diria que era censura contra a liberdade de imprensa.Veremos a diferença entre um país desenvolvido que as leis não modernas como a nossa , mas funciona. Esse Murdoch vai pegar uns vinte anos de cadeia.Aqui no Brasil ele seria uma vítima do governo pelos pig.O partido da imprensa golpista.Será(..)
16.07.2011
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