Internacional
Egito
Mohamed El Baradei retira candidatura à Presidência
O prêmio Nobel da Paz anunciou que sua consciência não permite candidatar-se 'salvo dentro de um regime democrático verdadeiro'
Manifestação contra soltados do governo militar que agrediram mulheres que protestavam no Cairo, Egito (Filippo Monteforte/AFP)
O prêmio Nobel da Paz egÃpcio Mohamed El Baradei anunciou neste sábado a decisão de não se apresentar como candidato à s eleições presidenciais do paÃs nem a nenhum outro cargo oficial. Em comunicado enviado à Agência Efe, ElBaradei explicou que sua consciência não permite apresentar-se à s presidenciais "salvo dentro de um regime democrático verdadeiro", e mostrou-se convicto de que "o antigo regime ainda não caiu".
De acordo com o ex-secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, "a arbitrariedade e a má administração do processo de transição distanciam o paÃs dos ideais da revolução" que acabou com os 30 anos de presidência de Hosni Mubarak. "O mais importante que conseguimos com a revolução foi romper a barreira do medo e recuperar a fé do povo em sua força para a mudança", garante ElBaradei. "O povo vai continuar reivindicando seus direitos até conquistá-los totalmente".
Usando de uma metáfora, o polÃtico avaliou que "o barco da revolução tomou um rumo difÃcil, foi atingido por fortes ondas e não conseguiu chegar ao porto da salvação". Ele atribui a responsabilidade pelo fracasso do "comandante do barco, que não foi eleito pelos passageiros e não tem experiência em navegação", e o acusa de ter aumentado as divisões na sociedade e de afundá-la em "diálogos estéreis". Por isso, apelou para as "forças da revolução" continuarem seu trabalho para alcançar todos os direitos do povo, e acusou os militares de praticar uma polÃtica de segurança "repressora e violenta".
Desde que o poder no paÃs foi assumido pela Junta Militar depois da queda de Mubarak em 11 de fevereiro, ElBaradei foi um dos maiores crÃticos da gestão de transição executada pelos generais e se transformou em um entusiasta das manifestações dos jovens que ainda protestam na praça Tahir do Cairo.
(Com Agência EFE)

