Mundo islâmico
Annan diz que plano de paz funciona, mas lentamente
Porta-voz de mediador da ONU afirma que conflito não tem solução rápida
Observadora da ONU fala com crianças sírias em Hama (Khaled al- Hariri / Reuters)
O plano de paz proposto pelo enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, funciona, embora de maneira irregular e lenta, reconheceu o mesmo nesta sexta-feira através de seu porta-voz, Ahmed Fawzi. Para o porta-voz, um conflito em vigor há mais de um ano não pode ser solucionado 'em um dia ou uma semana'.
Entenda o caso
- • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
- • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
- • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.
"O senhor Annan recebeu a incumbência de exercer uma mediação diplomática há aproximadamente dois meses, porque nada funcionava e os níveis de violência não diminuíam. Concordo que não há grandes sinais de o plano estar sendo cumprido, mas há pequenos sinais", afirmou em entrevista coletiva em Genebra.
"Algumas armas pesadas foram retiradas de zonas residenciais, algumas permanecem. Alguns episódios de violência continuam, alguns cessaram. Isto não é satisfatório, mas há sinais de movimentos lentos no terreno", acrescentou Fawzi.
Segundo o porta-voz, Annan vai informar o Conselho de Segurança da ONU sobre a aplicação do plano no dia 8 de maio, por videoconferência em Genebra. De forma geral, Fawzi informou que o plano e os observadores da ONU que estão no país para supervisionar sua aplicação - uma equipe que conta com 50 pessoas - 'já provocaram um impacto'. Porém, ele lamentou a continuidade dos confrontos entre as forças do regime de Bashar Assad e a oposição.
Repressão - Enquanto isso, a violência continua no país. Ativistas opositores informaram que as forças de segurança abriram fogo em várias cidades sírias nesta sexta-feira, como uma resposta aos protestos contra o governo que continuam em andamento. Ao menos 18 pessoas morreram nas cidades de Iblid, Homs e Aleppo, onde as tropas de Assad atacaram estudantes no dia anterior. Três pessoas morreram vítimas de tortura, informaram os opositores Comitês de Coordenação Local.
(Com agências EFE e France-Presse)