Tarja soterrados no Chile
 
28/08/2010 - 10:34
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Chile

Os dois lados de uma longa e difícil espera, na mina San José

Separados por 700 metros, familiares e mineiros no mesmo deserto

Manuela Franceschini
Parentes de mineiros rezam em acampamento no pé da montanha

Parentes de mineiros rezam em acampamento no pé da montanha (AFP)

Desde que chegou à superfície o bilhete que dizia “estamos bem no refúgio, os 33”, uma combinação de ansiedade, alívio e espera toma conta do deserto florido, como é conhecido o Atacama. Nos seis dias que se passaram, as atenções se voltaram para um acampamento que mostrou ao mundo o sofrimento dos parentes dos operários soterrados com cartazes, panos, recados e rostos que diziam: “Não desistiremos, mineiros”. Perto da dor de ter um pai, tio ou irmão dado como morto, qualquer outra preocupação se tornou menor. A partir de então, o que move as famílias dos 33 homens soterrados na mina San José é que eles vivem. De alguma maneira, confinados, doentes, na escuridão, no meio da lama, a 700 metros abaixo da terra, eles vivem enquanto podem.

Para provar, um vídeo foi gravado pelos próprios mineiros, em um gesto que se repetirá de modo que os médicos acompanhem o estado deles. As imagens assustam e revelam fatos omitidos pelas autoridades, que tentam passar segurança. Depois da exibição, foram admitidos cinco casos de depressão e um sério problema de infiltração na mina, conforme se notava nas cenas. Para as famílias, no entanto, vê-los é o que os faz suportar esses e os próximos 100 dias até que o resgate seja concluído.

Do lado de dentro, a tendência é que tudo piore. Por isso, sessões de terapia à distância já são colocadas em prática. Um outro vídeo, dessa vez destinado aos mineiros, foi gravado pelas famílias na última sexta-feira e deve ser entregue nas próximas horas. Para eles, um contato mínimo com o mundo e com quem os espera é mais do que um conforto, é como se fosse um sopro de ar nas galerias mofadas em que vivem.

No mesmo local, separados pela terra, as famílias se distraem com os eventos realizados no acampamento. Organizações não Governamentais (ONGs), voluntários e pessoas ligadas ao governo tentam ocupar o tempo dos parentes com reuniões, visitas e declarações oficiais. Quem não conhece a história, poderia pensar que se trata de uma grande feira, com barracas de comidas, música e até shows, como o que foi realizado na última sexta-feira, com o conjunto evangélico Mar de Cristal.

Do lado de baixo, os mineiros recebem pequenas bíblias, feitas especialmente para passar pelas “palomas”, as sondas que os alcançam, no mesmo "deserto florido", sob o mesmo pôr-do-sol de um laranja impressionante, onde fazem coro seus familiares, cantando: “Aqui aconteceu um milagre.”

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Osvaldo Filho

Que Deus os ajude!

28.08.2010

Rogério Rosa

Bom saber que resta esperança. Difícil mas não impossível.

28.08.2010

@alissonwilian

Emocionante e triste esta história dos mineiros. Vamos torcer para que eles saiam vivos dali. Abs

28.08.2010

 

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