Internacional
Narcotráfico
ONU identifica deslocamento do mercado de drogas ilegais no mundo
O mercado mundial de cocaína, que movimenta 88 bilhões de dólares, está se deslocando em direção à África e desestabilizando gravemente os países localizados na parte ocidental do continente em que a droga transita, informa nesta quarta-feira um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).
O deslocamento da demanda vem modificando as rotas de tráfico: atualmente, a cocaína que sai de países andinos tem como destino mais frequente a Europa, via África, do que os Estados Unidos, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). "Isso está causando instabilidade regional", declara o UNODC em seu Relatório Mundial sobre Drogas, divulgado anualmente.
Ainda de acordo com o documento, a produção e o consumo das principais drogas tradicionais, de uma forma geral, estão em queda ou controlados no mundo. Apesar do declínio, o abuso de drogas vem crescendo em países em desenvolvimento, muitos dos quais não dispõem dos meios para dar tratamento adequado a seus dependentes.
Consumo - Enquanto a droga passa pela África a caminho do crescente mercado europeu, mais africanos ocidentais estão consumindo cocaína e heroína. "As pessoas que cheiram cocaína na Europa estão dizimando as florestas virgens dos países andinos e corrompendo governos na África ocidental", disse o diretor-executivo do UNODC, Antonio Maria Costa. "Não resolveremos o problema mundial das drogas deslocando o consumo do mundo desenvolvido para o mundo em desenvolvimento."
O número de usuários de cocaína na Europa dobrou nos últimos dez anos, e o mercado europeu hoje movimenta 34 bilhões de dólares, quase o mesmo que o da América do Norte, maior consumidora mundial da droga. Em 2008, os cerca de 4 milhões de usuários de cocaína da Europa consumiam aproximadamente um quarto da produção mundial.
Nos últimos três anos, a produção mundial da droga caiu de 12 a 18%, e o mercado norte-americano vem encolhendo, graças em parte às operações de repressão policial na Colômbia, país produtor, e no México, corredor do tráfico. A outra maior "droga problemática" do mundo, heroína, também vem sofrendo uma queda em sua produção. Segundo o relatório, o declínio no rendimento das safras deve continuar.
Repressão - De acordo com a agência da ONU, Irã e Turquia vêm atuando bem na repressão do fluxo de heroína vinda do Afeganistão, que produz a maior parte da droga consumida no mundo. A Rússia e países centro-asiáticos e balcânicos, porém, tiveram desempenho fraco.
Dados de 2008 comparados a 2007, mostram um recorde nas apreensões de cocaína na América do Sul no período: 418 toneladas em 2008 contra 322, em 2007. Países vizinhos registraram aumento de apreensões da ordem de 62% na Bolívia, 96% no Peru e 52% na Argentina.
Maior mercado consumidor de cocaína da América do Sul, com 900.000 usuários, o Brasil registrou um crescimento de 21% nas apreensões da droga entre 2007 e 2008.
(Com agência Reuters)




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