Mundo islâmico
ONU: 200 mil fogem de Alepo temendo massacre
Forças do ditador Bashar Assad intensificaram ataques na região
Sírios fogem em busca das cidades poupadas pela repressão (Zohra Bensemra/Reuters)
As Nações Unidas informaram neste domingo que 200.000 pessoas fugiram da cidade síria de Alepo nos últimos dois dias, enquanto as forças do ditador Bashar Assad intensificaram seus ataques. A chefe do serviço humanitário da ONU, Valerie Amos, disse que um número indeterminado de pessoas está preso na cidade do norte do país e pediu acesso seguro de grupos de ajuda a Alepo, a maior cidade da Síria.
Entenda o caso
- • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
- • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
- • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.
"Não sabemos quantas pessoas continuam presas nos locais onde os combates continuam", disse ela, completando: "Peço a todos aqueles envolvidos na luta para não atingirem alvos civis e permitirem que as organizações humanitárias tenham acesso à população encurralada pelos combates, a fim de trazer ajuda emergencial".
É "muito difícil para as agências humanitárias alcançarem as famílias deslocadas" pelos combates em Alepo, Hama (centro) e em outras regiões, ressaltou ainda. "Muitas pessoas encontraram refúgio temporário em escolas e outros edifícios públicos em áreas mais seguras" e elas precisam com urgência de alimentos, cobertores e água potável.
Os rebeldes afirmaram também neste domingo que repeliram os ataques do Exército sírio contra as suas posições em Aleppo, no segundo dia de uma ofensiva que pode se transformar em um massacre da oposição, que exige armas e uma reunião de emergência com a ONU.
Armas e reunião - Os combates foram retomados neste domingo em Alepo onde os rebeldes que lutam contra o regime de Bashar Assad permanecem entrincheirados em alguns bairros, enquanto a oposição exige armas e uma reunião com a ONU para impedir um massacre.
O mediador internacional para a Síria, Kofi Annan, afirmou que teme "a concentração de tropas e armas pesadas nos arredores de Alepo", fazendo um apelo para que as partes envolvidas no conflito trabalhem para uma solução política para o conflito sangrento no país.
Em visita a Teerã, um dos poucos aliados de Damasco, o chefe da diplomacia síria, Walid Mouallem, assegurou que os rebeldes serão, "sem dúvida, derrotados" pelo Exército sírio e acusou "o Qatar, a Arábia Saudita, a Turquia e os países estrangeiros" de apoiarem os insurgentes, fornecendo armas.
Ataques - Após uma pausa nos combates na tarde de sábado, os confrontos recomeçaram em Alepo, onde os rebeldes resistem às ofensivas do Exército apoiado por helicópteros. Tanques de guerra tentaram atacar novamente o bairro de Salaheddine, reduto rebelde, mas foram expulsos pelo Exército Sírio Livre (ESL), formado por desertores e civis armados, declarou Abou Hicham al-Halabi, um militante contactado via Skype.
Outro rebelde, Abou Alaa, indicou que os combates se concentram em Salaheddine, mas que os "confrontos também prosseguem em Bab al-Hadid e em Bab al-Nasr", perto de Alepo, considerada patrimônio mundial da Humanidade pela Unesco. Explosões foram ouvidas em outros bairros, enquanto aviões sobrevoavam a cidade, cujo controle é crucial para ambos os lados, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A frente de Alepo foi aberta em 20 de julho e o Exército iniciou a ofensiva depois de receber reforços.
Em um comunicado deste domingo, o CNS pediu uma reunião "de emergência" com o Conselho de Segurança da ONU para impedir o massacre de civis que o regime está prestes a cometer em Alepo. Ele também exige "uma zona de exclusão aérea e a instauração de zonas de segurança para os cerca de dois milhões de refugiados". Já o papa Bento XVI lançou um apelo pelo fim imediato do derramamento de sangue na Síria, pedindo à comunidade internacional que faça tudo para ajudar a solucionar o conflito.
Mais de 20.000 pessoas morreram desde o início da contestação, incluindo 14.000 civis, segundo o OSDH.
(Com agência France-Presse)