Terrorismo
Número de civis afegãos mortos dispara. Culpa do Talibã
Em 2010, aumento foi de 15%. Mortes causadas por forças de segurança caem
Um Talibã cada vez mais truculento: mulher vestindo burca caminha por um cemitério muçulmano de Kabul, nesta quarta-feira; as vítimas civis no conflito afegão crescem (Shah Marai/AFP)
O relatório da ONU mostra tendência preocupante - a guerra chega ao seu décimo ano com saldo crescente de vítimas entre as mulheres e crianças
Um balanço divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira mostra que o ano passado foi o mais violento desde o começo da guerra entre os terroristas da milícia Talibã e as forças internacionais no Afeganistão, em 2001. Quase 2.800 civis foram mortos em 2010, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. E a culpa por essa carnificina é dos terroristas, responsáveis por três entre cada quatro mortes de inocentes. As mortes provocadas por ataques equivocados ou ações desastradas das forças do governo ou das tropas estrangeiras caíram. Ainda assim, as forças de segurança são o principal alvo de críticas quando se trata de morte de civis no fogo cruzado.
Conforme o relatório da ONU, realizado em conjunto pela Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) e pela Comissão Afegã Independente dos Direitos Humanos, os atentados suicidas e as bombas de fabricação caseira - as modalidades de ataque preferidas dos talibãs - mataram 1.141 civis em 2010. Já os ataques aéreos das forças aliadas mataram 171 pessoas. No total, foram 2.777 vítimas, das quais 9% não têm um culpado oficial no relatório - de acordo com os autores do documento, nesses casos não foi possível atribuir responsabilidade pelas mortes. O relatório mostra tendência preocupante - a guerra chega ao seu décimo ano com saldo crescente de vítimas entre os inocentes.
Apesar da proporção de mortes provocadas pelo Talibã ser muito maior - 75% contra 15% dos óbitos provocados por erros das forças de segurança -, a sensação de revolta contra as tropas estrangeiras continua muito maior do que a percepção popular contra a violência do Talibã. Recentemente, um ataque americano matou nove garotos por engano. O presidente afegão, Hamid Karzai, criticou duramente as tropas estrangeiras, dizendo que elas encontrarão "enormes problemas" caso "a matança diária de civis inocentes" não termine. O general americano David Petraeus pediu desculpas pela tragédia na semana passada. Karzai não se pronunciou tão claramente, porém, sobre a brutalidade dos talibãs contra a população.
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Chance menor - De acordo com o relatório, o número de mulheres e crianças mortas em decorrência do confronto armado disparou. Igualmente alarmante é o aumento de 105% no número de assassinatos de funcionários públicos, autoridades e integrantes de organizações humanitárias identificadas como simpáticas ao governo ou às forças da Otan. Esse é um problema crítico - afinal, a tática de executar quem participa da missão de tentar dar segurança e estabilidade ao país torna dificílimo encontrar quem esteja disposto a correr esse tipo de risco. Resultado: a chance de entregar a responsabilidade pela segurança do país às forças locais já neste ano, como os EUA previam, pode ser muito menor do que se imaginava.
(Com agência France-Presse)




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