Justiça

Mladic é acusado de ter ordenado massacre pessoalmente

Mais de 8.000 bósnios muçulmanos foram mortos na cidade de Srebrenica

Ratko Mladic: ex-líder militar servo-bósnio e uma das figuras-chave da guerra civil da Bósnia, em 1994

Ratko Mladic: ex-líder militar servo-bósnio e uma das figuras-chave da guerra civil da Bósnia, em 1994 (Pascal Guyot / AFP)

'Um exército desorganizado não acaba com a vida de 8.000 pessoas. Só é possível alcançar algo assim com um exército bem liderado e dirigido, que sabe o que faz', afirmou o promotor

O ex-general sérvio Ratko Mladic foi acusado nesta quinta-feira pelo promotor Peter McCloskey de ter ordenado conscientemente o massacre de Srebrenica, que matou 8.000 bósnios muçulmanos em 1995, durante a Guerra da Bósnia.

Mladic começou a ser julgado quarta-feira no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) em Haia e a Promotoria pretende demonstrar a responsabilidade do sérvio nos crimes de guerra e genocídio cometidos na Bósnia entre 1992 e 1995.

O promotor assinalou que Mladic liderou pessoalmente as ações de detenção, transporte e assassinato em Srebrenica. "Um exército desorganizado não acaba com a vida de 8.000 pessoas. Só é possível alcançar algo assim com um exército bem liderado e dirigido, que sabe o que faz", assegurou  McCloskey.

Filmagem - Entre outras coisas, a Promotoria mostrou um vídeo em que Mladic, filmado por um mercenário, manda seus homens continuarem "a vingança contra os turcos" e queima uma bandeira da Turquia hasteada no enclave de Srebrenica. A gravação corresponde a 11 de julho de 1995, quando começou o massacre dos bósnios muçulmanos.

Apresentando uma postura menos arrogante do que no primeiro dia de julgamento, quando chegou a provocar sobreviventes do massacre, Mladic apareceu abatido e pediu um intervalo após os primeiros 45 minutos de sessão.

Os promotores apresentarão durante o julgamento as versões de 411 testemunhas - sete delas falarão no tribunal. O início do julgamento acontece um ano depois da detenção de Mladic e dezessete anos depois de o tribunal ter publicado a primeira acusação contra o ex-general.

(Com agência EFE)

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