Tarja soterrados no Chile
 
28/08/2010 - 16:42
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Chile

Pressionado, ministro volta atrás sobre diagnóstico de depressão em mineiros

Autoridades também estudam “plano B” numa tentativa de agilizar o resgate

Manuela Franceschini, de Copiapó, no Chile
Perfuração para resgatar mineiros foi iniciada neste sábado

Perfuração para resgatar mineiros foi iniciada neste sábado (AFP)

“Eles estiveram mais tristes, porém não apresentam um quadro de depressão”, disse o pscólogo Alberto Iturra

Um dia após afirmar categoricamente que cinco dos 33 mineiros soterrados na jazida San José, no deserto do Atacama desde 5 de agosto, estavam com depressão, o ministro da Saúde do Chile voltou atrás. Jaime Mañalich disse, neste sábado, que o diagnóstico estava errado e que o maior problema agora são as infecções cutâneas. Pressionadas, as autoridades locais também tentam agilizar o resgate, que era estimado em quatro meses e anunciam um "plano B".

Em sua entrevista coletiva diária, no acampamento das famílias dos mineiros, Mañalich, afirmou que alguns pontos cruciais desmentem o quadro de depressão, que havia sido diagnosticado nos cinco mineiros. “Os médicos e psiquiatras voltaram atrás depois de analisar os seguintes pontos: os mineiros são capazes de estabelecer conversas por telefone com os profissionais, estão próximos uns dos outros - não mais isolados, como no início - e estão comendo”, disse. “Está tudo encaminhado. O problema mais grave agora são as infecções na pele, apresentadas por alguns operários”.

"Não está tudo bem" -  Alfonso Avalos, pai dos mineiros Florêncio e Renan, afirma: “Estão nos enganando”. Segundo ele, o que lhes diziam foi desmentido pelo vídeo exibido na última quinta-feira e a situação não é tão positiva quanto dizem as autoridades na mina. “Todos aqui sabemos que não está tudo bem, como nos dizem. Eu vi meus filhos, eles estão tristes, muito magros, com a pele machucada, soterrados. O governo fala, mas não é tão simples. Não está tudo bem, eu sei que não”, diz Avalo

Dos quatro filhos que tem, os dois são os únicos homens. “Se ter um filho nessas condições é difícil, imagine dois”. Florêncio trabalhava há 10 anos como minerador, mas Renan tinha poucos meses de experiência. Avalos é agricultor, mas trabalhou por dois anos como minerador e não entende a demora do resgate. “Com tanta tecnologia, levar esse tempo todo. Eles, lá embaixo, usaram o meio de comunicação mais antigo, mandaram uma carta, e foram mais inteligentes do que os aqui de cima, que não conseguiram contato e os deram como mortos”.

Outros oito parentes da família Avalos vieram neste sábado para o acampamento, que está lotado. Muitos parentes que moram longe ou que não podem passar a semana acampados vieram dar apoio. Na tenda dos irmãos Florêncio e Renan, são 18 que fazem companhia ao pai desiludido. “Por que tanto tempo, tantos problemas? Tanta umidade, o tremendo dano psicológico. Não sei se meus filhos vão sobreviver”, desabafa.

Palavras inadequadas - O psicólogo da Associação Chilena de Segurança, Alberto Iturra, disse que “o quadro dos mineiros não foi revertido, o que houve foi uma inadequação nas palavras usadas anteriormente pelo ministro da Saúde. “Eles estiveram mais tristes, porém não apresentam um quadro de depressão”, afirmou.

Segundo Mañalich, o refúgio já recebe água de maneira contínua, o que vai melhorar a condição dos mineiros. Roupas limpas, ar fresco e seco - para acabar com a unidade - também foram enviados ao interior da mina através de sondas. O ministro revelou ainda uma rotina que os operários têm cumprido todos os dias: entre as três e cinco da tarde, eles estabelecem comunicação com médicos, psicólogos e, em seguida, engenheiros, para atualizar a situação no local.

Nas próximas horas, eles receberão um dispositivo - uma espécie de pen drive adaptado - pelo qual vão poder ouvir músicas típicas chilenas. Ontem, à noite, os mineiros gravaram e enviaram um novo vídeo para suas famílias. Os cinco operários que não apareciam na primeira gravação, desta vez mostram o rosto.

Plano B - Pressionado, o governo chileno tem buscado alternativas para acelerar o resgate dos 33 mineiros, que foi estimado em quatro meses por causa da complicada perfuração no local. Neste sábado, Walter Herrera, gerente de qualidade da empresa Reotec - responsável pelas sondas usadas na operação - disse que um novo equipamento deverá chegar à mina em 5 ou 6 dias. A nova sonda, com 70 centímetros de diâmetros, é um pouco maior do que a primeira (que tem 66 centímetros de diâmetro) e funciona com “ar reverso” e não com água, o que melhoraria o problema da umidade nas galerias.

Herrera mostrou o desenho deste plano B de resgate, mas não especificou detalhes. Ele disse, porém, que a perfuração com a primeira máquina - iniciada neste sábado - vai ser mantida. O objetivo do segundo equipamento é agilizar o resgate. “Há contratempos durante o trabalho. Por isso, não devemos ter apenas um plano. Então, não falarei em números, mas posso garantir que vamos correr”, disse. “O princípio é o mesmo, mas com máquinas distintas”, concluiu.
 

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Rene de Oliveira

Como seria este resgate se estivesse la, uma autoridade do Governo? Estou Rezando todos os dia s por essas criaturas de Deuas.

28.08.2010

 

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