Chile
Pressionado, ministro volta atrás sobre diagnóstico de depressão em mineiros
Autoridades também estudam “plano B” numa tentativa de agilizar o resgate
Perfuração para resgatar mineiros foi iniciada neste sábado (AFP)
“Eles estiveram mais tristes, porém não apresentam um quadro de depressão”, disse o pscólogo Alberto Iturra
Um dia após afirmar categoricamente que cinco dos 33 mineiros soterrados na jazida San José, no deserto do Atacama desde 5 de agosto, estavam com depressão, o ministro da Saúde do Chile voltou atrás. Jaime Mañalich disse, neste sábado, que o diagnóstico estava errado e que o maior problema agora são as infecções cutâneas. Pressionadas, as autoridades locais também tentam agilizar o resgate, que era estimado em quatro meses e anunciam um "plano B".
Em sua entrevista coletiva diária, no acampamento das famílias dos mineiros, Mañalich, afirmou que alguns pontos cruciais desmentem o quadro de depressão, que havia sido diagnosticado nos cinco mineiros. “Os médicos e psiquiatras voltaram atrás depois de analisar os seguintes pontos: os mineiros são capazes de estabelecer conversas por telefone com os profissionais, estão próximos uns dos outros - não mais isolados, como no início - e estão comendo”, disse. “Está tudo encaminhado. O problema mais grave agora são as infecções na pele, apresentadas por alguns operários”.
"Não está tudo bem" - Alfonso Avalos, pai dos mineiros Florêncio e Renan, afirma: “Estão nos enganando”. Segundo ele, o que lhes diziam foi desmentido pelo vídeo exibido na última quinta-feira e a situação não é tão positiva quanto dizem as autoridades na mina. “Todos aqui sabemos que não está tudo bem, como nos dizem. Eu vi meus filhos, eles estão tristes, muito magros, com a pele machucada, soterrados. O governo fala, mas não é tão simples. Não está tudo bem, eu sei que não”, diz Avalo
Dos quatro filhos que tem, os dois são os únicos homens. “Se ter um filho nessas condições é difícil, imagine dois”. Florêncio trabalhava há 10 anos como minerador, mas Renan tinha poucos meses de experiência. Avalos é agricultor, mas trabalhou por dois anos como minerador e não entende a demora do resgate. “Com tanta tecnologia, levar esse tempo todo. Eles, lá embaixo, usaram o meio de comunicação mais antigo, mandaram uma carta, e foram mais inteligentes do que os aqui de cima, que não conseguiram contato e os deram como mortos”.
Outros oito parentes da família Avalos vieram neste sábado para o acampamento, que está lotado. Muitos parentes que moram longe ou que não podem passar a semana acampados vieram dar apoio. Na tenda dos irmãos Florêncio e Renan, são 18 que fazem companhia ao pai desiludido. “Por que tanto tempo, tantos problemas? Tanta umidade, o tremendo dano psicológico. Não sei se meus filhos vão sobreviver”, desabafa.
Palavras inadequadas - O psicólogo da Associação Chilena de Segurança, Alberto Iturra, disse que “o quadro dos mineiros não foi revertido, o que houve foi uma inadequação nas palavras usadas anteriormente pelo ministro da Saúde. “Eles estiveram mais tristes, porém não apresentam um quadro de depressão”, afirmou.
Segundo Mañalich, o refúgio já recebe água de maneira contínua, o que vai melhorar a condição dos mineiros. Roupas limpas, ar fresco e seco - para acabar com a unidade - também foram enviados ao interior da mina através de sondas. O ministro revelou ainda uma rotina que os operários têm cumprido todos os dias: entre as três e cinco da tarde, eles estabelecem comunicação com médicos, psicólogos e, em seguida, engenheiros, para atualizar a situação no local.
Nas próximas horas, eles receberão um dispositivo - uma espécie de pen drive adaptado - pelo qual vão poder ouvir músicas típicas chilenas. Ontem, à noite, os mineiros gravaram e enviaram um novo vídeo para suas famílias. Os cinco operários que não apareciam na primeira gravação, desta vez mostram o rosto.
Plano B - Pressionado, o governo chileno tem buscado alternativas para acelerar o resgate dos 33 mineiros, que foi estimado em quatro meses por causa da complicada perfuração no local. Neste sábado, Walter Herrera, gerente de qualidade da empresa Reotec - responsável pelas sondas usadas na operação - disse que um novo equipamento deverá chegar à mina em 5 ou 6 dias. A nova sonda, com 70 centímetros de diâmetros, é um pouco maior do que a primeira (que tem 66 centímetros de diâmetro) e funciona com “ar reverso” e não com água, o que melhoraria o problema da umidade nas galerias.
Herrera mostrou o desenho deste plano B de resgate, mas não especificou detalhes. Ele disse, porém, que a perfuração com a primeira máquina - iniciada neste sábado - vai ser mantida. O objetivo do segundo equipamento é agilizar o resgate. “Há contratempos durante o trabalho. Por isso, não devemos ter apenas um plano. Então, não falarei em números, mas posso garantir que vamos correr”, disse. “O princípio é o mesmo, mas com máquinas distintas”, concluiu.



Comentários
Rene de Oliveira
Como seria este resgate se estivesse la, uma autoridade do Governo? Estou Rezando todos os dia s por essas criaturas de Deuas.
28.08.2010