Internacional
Tragédia
Milionários se matam na crise
Na terça-feira passada, o empresário alemão Adolf Merckle, de 74 anos, dono de um conglomerado com faturamento anual de 40 bilhões de dólares, foi encontrado morto ao lado de uma linha de trem na cidade de Ulm, no sul da Alemanha. Ele era o 94º homem mais rico do mundo, segundo o ranking da revista Forbes. Em um breve comunicado divulgado à imprensa, a família informou tratar-se de um suicídio motivado por dificuldades financeiras.
O suicídio de Merckle foi o segundo a ser diretamente relacionado à crise econômica desde a quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers, em setembro, fato que deflagrou o atual vendaval econômico mundial. No dia 23 de dezembro, o investidor francês Thierry Magon de La Villehuchet, de 65 anos, foi encontrado morto em Nova York, com os pulsos cortados e um frasco de comprimidos a seu lado.
La Villehuchet administrava o fundo Access International Advisors, que havia perdido 1,5 bilhão de dólares na pirâmide financeira construída pelo financista Bernard L. Madoff. Depois da morte de La Villehuchet, a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, alertou para o impacto psicológico do vendaval econômico. "Existem evidências claras de que o suicídio está relacionado a desastres financeiros", afirmou.
O professor da Faculdade de Psicologia da PUC-SP Ari Rehfeld não vai tão longe. Segundo ele, as perdas financeiras em si não são a causa preponderante dos suicídios. O problema seria a perda de status e a rejeição dos pares, dois fenômenos normalmente resultantes da falência. "Os investidores ficam presos no passado, e torna-se difícil encarar os desafios que vêm pela frente".
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