Europa

Mikhail Gorbachev pede a Putin que deixe o poder agora

“O sistema eleitoral que nós tínhamos não era extraordinário, mas eles literalmente o castraram”, disse Gorbachev

Ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev (Grigory Dukor / Reuters/VEJA)

O homem forte da Rússia, Vladimir Putin, deve deixar o poder "agora" em vista dos protestos sem precedentes contra seu regime, declarou neste sábado o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev.

"Eu aconselharei Vladimir Vladimirovitch (Putin) a partir agora", afirmou o pai da Perestroika em declarações à rádio Eco, de Moscou.

Protestos - Depois dos protestos realizados no último dia 10 de dezembro, milhares de russos voltaram às ruas neste sábado em diversas cidades da Rússia para denunciarem a fraude eleitoral e pedir a realização de novas eleições legislativas.

Segundo fontes policiais, ao contrário das manifestações anteriores, que foram marcadas por confrontos e prisões em massa, esse protesto foi realizado de maneira pacifica e sem maiores incidentes, assim como o realizado no dia 10 de dezembro.

Como era de se esperar, Moscou foi novamente a cidade com o maior número de manifestantes nas ruas, todos protestando contra os resultados da última eleição legislativa, a qual terminou com uma vitória do partida governista Rússia Unida (RU).

Segundo os organizadores dos protestos, aproximadamente 120.000 pessoas participaram da manifestação na capital russa para exigir a realização de novos pleitos parlamentares, a anulação dos resultados "falsificados" e a libertação dos "presos políticos". No entanto, fontes da polícia afirmam que a manifestação contou com apenas 29.000.

Independentemente do número exato de manifestante, a jornada de protesto deste sábado teria superado o número de participantes da realizada no último dia 10 de dezembro, que até o momento tinha sido considerada como a maior manifestação registrada neste país desde a década de 1990.

Além de manifestantes, que ecoavam o grito de "Fora Putin", os protestos contaram com a participação dos líderes da oposição, políticos, atores, escritores e artistas, que afirmam que se sentem cansados da hegemonia do Governo na Rússia. "A Rússia está farta de revoluções. Que Deus nos livre. Mas, também estamos fartos de corrupções e fraudes", disse o jornalista russo Leonid Parfionov, que comparou Putin com o líder soviético Leonid Brezhnev, associado por muitos com a estagnação.

Os recentes protestos obrigaram o presidente russo, Dmitri Medvedev, a propor uma abertura política com grandes mudanças no sistema eleitoral. A medida foi anunciada na última quinta-feira, porém, não impediu a realização da manifestação que já estava prevista para este sábado.

Em particular, a nova proposta visa recuperar as eleições diretas dos presidentes e governadores das regiões e repúblicas da Rússia, que na era Putin passaram a ser nomeados pelo Kremlin, assim como permitir o registro livre de partidos políticos.

Apesar da pressão da população, o líder russo, que manifestou seu desacordo as palavras de ordem e as declarações lançadas pelos manifestantes, não anunciou nenhuma medida que confirme sua disposição em realizar novos pleitos legislativos.

O partido de Putin alcançou a maioria absoluta na Duma ao somar 238 cadeiras, do total de 450, segundo os resultados definitivos das eleições, os quais são considerados pela oposição como falsificados. Para alcançar a maioria absoluta, a RU precisaria superar a marca de 226 cadeiras.

Apesar da maioria absoluta, o partido governista perdeu 77 cadeiras, em relação aos pleitos legislativos anteriores e, por isso, não terá a maioria constitucional. 

(Como agências France-Presse e EFE)

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