América Latina
Mercosul suspende participação do Paraguai em cúpula
País foi excluído de reunião dos chefes de estado do bloco, que começa quinta
Lugo em reunião do Mercosul em 2010 (AFP)
O Mercosul decidiu, neste domingo, suspender a participação do Paraguai da próxima cúpula do bloco, que será realizada na quinta e sexta-feira na Argentina. No encontro, serão discutidas as medidas a serem tomadas em relação ao país após o impeachment de Fernando Lugo.
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Tema em foco: O impeachment no Paraguai
Apesar da rapidez, o processo de impeachment de Lugo ocorreu dentro das regras da Constituição paraguaia. Os países vizinhos, no entanto, vêm atuando para pressionar o novo governo. Neste domingo, o ditador venezuelano Hugo Chávez determinou a suspensão do fornecimento de petróleo ao Paraguai. Cerca de 30% do óleo consumido pelo país é de origem venezuelana.
Em comunicado conjunto, Argentina, Brasil e Uruguai anunciaram a decisão de “suspender o Paraguai, de forma imediata e por este ato, do direito a participar da 43ª Reunião do Conselho de Mercado Comum e Cúpula de Presidentes do Mercosul”.
A medida foi adotada, segundo a declaração, em consideração ao Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático no Mercosul, assinado em 24 de julho de 1998. O documento determina “a plena vigência das instituições democráticas” como “condição essencial para o desenvolvimento do processo de integração”.
No comunicado, Argentina, Brasil e Uruguai e os países associados Chile, Peru, Venezuela, Bolívia, Equador e Colômbia expressaram a “enérgica condenação à ruptura da ordem democrático ocorrida na República do Paraguai, por não ter sido respeitado o devido processo” no julgamento político de Lugo, destituído na sexta-feira passada.
A declaração afirma ainda que os chefes de estado considerarão na próxima sexta-feira, em Mendoza, novas “medidas a serem adotadas”.
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Velório das vítimas do confronto armado na fazenda de Curuguaty
O presidente paraguaio é apontado como o responsável pelas mortes de 17 pessoas - entre camponeses e policiais, em um confronto armado que ocorreu no dia 15 de junho durante uma reintegração de posses na cidade de Curuguaty, na fronteira com o Paraná. A fazenda pertence ao ex-senador Blas Riquelme, do Partido Colorado, da oposição, que afirmou que os carperos (como são chamados os sem-teto) podem ter sido treinados pelo grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP) com o apoio de Lugo - nada disso foi comprovado. A polícia ainda foi criticada por ter falhado nos trabalhos de inteligência, que não teriam detectado a preparação dos sem-teto para resistirem à reintegração de posse.
(Com EFE)