Mundo islâmico
Médicos Sem Fronteiras denunciam abuso em prisões líbias
No total, ONG tratou de 115 pessoas que apresentavam ferimentos provocados por tortura, enquanto a sua missão era cuidar de prisioneiros de guerra feridos
Imigrante é um dos mais de 1.400 detidos na prisão de Djeida, em Trípoli (Marco Longari/AFP)
A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) suspenderá suas operações nos centros de detenção da cidade líbia de Misrata como resposta às torturas praticadas contra presos, anunciou nesta quinta-feira a ONG. Desde que iniciou suas atividades na região, em agosto do ano passado, os profissionais tiveram de tratar cada vez mais pacientes com lesões de abusos cometidos durante interrogatórios. No total, a organização tratou de 115 pessoas que apresentavam ferimentos provocados por tortura, enquanto, a princípio, a missão da MSF era cuidar de prisioneiros de guerra feridos. Os casos foram denunciados para as autoridades de Misrata.
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O diretor-geral da MSF, Christopher Stokes, denunciou que alguns oficiais das penitenciárias tentaram obstruir o trabalho dos médicos. Além disso, afirmou que muitos presos eram enviados para tratamento médico sob interrogatório, para depois serem levados novamente. Stokes disse que a situação é "inaceitável", pois a função da ONG é atender vítimas de guerra e presos feridos, e não tratar detentos entre sessões de tortura.
Casos - A MSF denunciou que em algumas ocasiões os oficiais pediram que os médicos tratassem dos presos dentro dos próprios centros de interrogatório. A organização disse que o caso "mais alarmante" ocorreu em 3 de janeiro, quando membros da ONG trataram um grupo de 14 prisioneiros que tinham acabado de sair de um interrogatório. Nove deles mostravam sinais evidentes de tortura, e, após a MSF pedir que eles fossem transferidos para hospitais, o Serviço de Segurança do Exército Nacional negou atendimento a oito dos presos.
Em 9 de janeiro, a organização enviou uma carta na qual pedia o fim imediato desse tipo de prática ao Conselho Militar de Misrata, ao Comitê de Segurança de Misrata, ao Serviço de Segurança do Exército Nacional e ao Conselho Civil de Misrata. "Nenhuma ação concreta foi tomada. Ao invés disso, a equipe médica recebeu quatro novos casos de torturas, por isso decidimos suspender nossas atuações", declarou o diretor-geral da MSF.
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(Com agência EFE)




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