Tarja do tema Revoltas no mundo islâmico
 
22/02/2012 - 18:21
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Diplomacia

Londres e Paris convocam embaixadores sírios após morte de jornalistas

Grã-Bretanha, França e União Europeia pediram a saída de Bashar Assad

Cameron disse que a morte de Marie Colvin é "uma triste lembrança dos riscos que os jornalistas correm na Síria"

Cameron disse que a morte de Marie Colvin é "uma triste lembrança dos riscos que os jornalistas correm na Síria" (Peter Macdiarmid/Reuters)

A morte dos jornalistas ocidentais em Homs promete causar uma crise diplomática entre Síria, França e Grã-Bretanha depois que os dois países europeus convocaram nesta quarta-feira os embaixadores da Síria para "consultas". Marie Colvin, correspondente do jornal britânico Sunday Times, e Rémi Ochlik, fotógrafo francês, morreram durante um bombardeio em um centro de imprensa de opositores ao regime de Bashar Assad, no bairro de Baba Amr, o mais castigado pelas forças do regime.

Entenda o caso


  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.400 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.

Por causa das mortes, o Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha convocou o embaixador da Síria em Londres, Sami Khiyami, pouco depos de o Ministério das Relações Exteriores da França tomar a mesma medida. Por ordem do chanceler britânico, William Hague, o embaixador sírio se reuniu com Geoffrey Adams, responsável de Política do Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, que em comunicado condenou "a contínua e inaceitável violência em Homs" - cidade síria rebelde assediada pelo regime de Assad.

Comunicado - Adams expressou ao diplomata sírio o horror do governo britânico pelo que está ocorrendo em Homs, "onde o mundo foi testemunha da morte de mais de 60 civis somente hoje, entre eles crianças, na rua de Al Hakoura, no bairro de Baba Amr".
 
A nota manifesta a tristeza do governo de David Cameron pela morte de Ochlik, jovem fotógrafo de 28 anos, e de Marie Colvin, veterana correspondente de guerra de 55 anos com nacionalidade americana, que trabalhava desde 1986 no Sunday Times. "O Ministério das Relações Exteriores britânico espera que o governo sírio facilite os trâmites para a repatriação dos corpos dos jornalistas e ofereça cuidados médicos ao repórter britânico ferido nesse ataque", destaca Adams, que se referia a Paul Conroy, ferido no incidente.
 
Condenações - O comunicado do Foreign Office assinala que o governo britânico reivindica a interrupção imediata da violência, e faz um apelo às autoridades sírias para que não ataquem os civis e para que comecem um processo de transição política. Além disso, Cameron afirmou nesta quarta-feira diante do Parlamento que a morte de Marie Colvin é "uma triste lembrança dos riscos que os jornalistas correm na Síria". Na sessão semanal de perguntas e respostas na Câmara dos Comuns, o chefe do Executivo britânico prestou uma singela homenagem à jornalista americana de 55 anos que morava na Grã-Bretanha e era uma veterana repórter de guerra.
 
Por sua vez, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, classificou a morte dos jornalistas como "assassinatos" e disse que a era Assad deve acabar. "Já chega", afirmou Sarkozy. "Esse regime deve sair do poder, não há razão para os sírios não terem o direito de viverem suas vidas e escolherem seu destino de forma livre. Se os jornalistas não estivessem lá, os massacres seriam muito piores", concluiu.
 
Os Estados Unidos se uniram ao coro e também condenaram a morte dos jornalistas, que classificaram como onsideraram uma demonstração da crescente "brutalidade do regime" do ditador Bashar Assad. "Nossos pensamentos e orações estão com as famílias desses jornalistas", disse em sua entrevista coletiva diária o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.
 
A condenação à morte dos jornalistas, enviados para noticiar as atrocidades cometidas pelo regime de Bashar Assad, também veio da União Europeia. A alta representante de Política Externa e Segurança Comum da União Europeia (UE), Catherine Ashton, condenou nesta quarta-feira o assassinato de dois jornalistas ocidentais na Síria e exigiu novamente a renúncia de Assad. "Não encontro as palavras adequadas para condenar o ocorrido", disse Ashton em entrevista coletiva realizada em um complexo turístico no litoral jordaniano do Mar Morto, onde participa de uma reunião do grupo de trabalho entre UE e Jordânia.
 
(Com agência EFE)

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