Oriente Médio
Liga Árabe quer força de paz da ONU para a Síria
Bloco definiu a retirada de embaixadores do país e aumento de sanções
Após reunião no Cairo, ministros da Liga Árabe decidiram propor criação de força de paz da ONU para a Síria (Marco Longari/AFP)
A Liga Árabe decidiu neste domingo que vai pedir ao Conselho de Segurança da ONU a formação de uma força de paz conjunta para a Síria. Além disso, o bloco definiu a retirada de seus embaixadores de Damasco e estabelceu que vai aumentas suas sanções econômicas contra o regime do ditador Bashar Assad.
Entenda o caso
- • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
- • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.400 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
- • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.
As decisões foram tomadas em reunião extraordinária dos chefes da diplomacia da Liga Árabe realizada no Cairo, no Egito, e tem como objetivo buscar uma solução para a crise síria. Os ministros das Relações Exteriores pedirão ao Conselho de Segurança a criação de uma missão integrada por membros da Liga Árabe e das Nações Unidas que comprove na Síria o cessar-fogo das forças de segurança do regime.
Além disso, o bloco árabe deu como encerrada sua missão anterior na Síria, que foi suspensa em 28 de janeiro devido ao aumento da violência no país. O encontro oficializou ainda a reúncia do general sudanês Ahmed Mustafa al Dabi, ex-chefe da missão de obervadores – o ex-ministro das Relações Exteriores jordaniano, Abdelelah al-Khatib, deve assumir o posto.
Pressão – A organização concordou em aumentar a pressão contra Damasco com a suspensão de "todas as formas de colaboração diplomática" e a intensificação sas sanções econômicas. A proposta é suspender acordos comerciais com o regime sírio, excluindo os que afetam diretamente os cidadãos do país.
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Por outro lado, a Liga Árabe se comprometeu a "abrir canais de comunicação com a oposição síria e facilitar todas as formas de apoio político e financeiro" aos rebeldes. Além disso, os chefes da diplomacia árabe decidiram pedir à oposição que "unifique suas fileiras" e mantenha com a Liga Árabe um diálogo sério nas vésperas de uma conferência internacional sobre a Síria, que será realizada no dia 24 de fevereiro, na Tunísia.
Entre outras decisões da Liga Árabe, está a intenção de ajudar organizações humanitárias internacionais que ajudem a população síria, assim como campanhas de doações e a criação de um fundo internacional. Desde o início dos protestos contra Assad, em março do ano passado, mais de 5.400 pessoas já morreram vítimas das forças de segurança, segundo números da ONU.
Reação – O regime sírio, que acusa grupos terroristas pela violência no país, criticou as decisões da Liga Árabe. O representante da Síria no bloco, Youssef Ahmed, rejeitou as medidas adotadas neste domingo pela organização e disse que seus membros financiam terroristas e incentivam a violência no país.
Ahmed criticou particularmente a postura do Catar e da Arábia Saudita, os países que exerceram a maior pressão para conseguir uma condenação firme contra Damasco, dizendo que o comportamento dos dois países causa "um desvio escandaloso do pacto da Liga Árabe e uma hostilidade direta que tem como objetivo acabar com a estabilidade na Síria".
"A resolução (da Liga Árabe) mostrou o estado histérico e a confusão que vivem estes países após seu fracasso perante o Conselho de Segurança da ONU", ressaltou Ahmed em referência ao veto da Rússia e China a uma condenação à Síria pelo principal órgão das Nações Unidas.
(Com agência EFE)




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