16/05/2012 - 10:03
Fonte: Logo-efe

Justiça

Jornalista que anunciou fim da 2ª Guerra é relembrado em livro da filha

Raquel Godos.

Washington, 16 mai (EFE).- O jornalista americano Ed Kennedy foi o primeiro correspondente que relatou ao mundo a rendição alemã na Segunda Guerra Mundial, mas sua atitude, além de não o ter tornado importante no momento, ainda fez com que o mesmo fosse demitido.

Quase 70 anos depois de ter perdido o emprego por violar um embargo militar que pretendia manter em segredo a notícia durante 36 horas, seu empregador, a agência americana 'Associated Press' ('AP'), pediu desculpas a sua filha, Julia Kennedy, e também publicou as memórias de seu pai que explica aquele duro episódio.

Após percorrer quase toda a Europa como correspondente para a 'AP', Kennedy chegou a ser o principal responsável da empresa na Europa em plena guerra.

'A equipe de (o general Dwight D.) Eisenhower decidiu que só 17 jornalistas fossem testemunhas da rendição alemã e ele foi um deles, dada a importância de seu cargo', explicou Julia Kennedy em entrevista à Agência Efe.

Seu pai viajou para Reims (França) para assistir à capitulação, cuja publicação tinha um embargo de 36 horas porque os aliados tinham feito um acordo, a pedido da URSS, para fazer uma cerimônia oficial em Berlim. 'Mas, ao chegar outra vez a Paris, ele escutou que os alemães já tinham divulgado a notícia em uma rádio local'.

'Todos os jornalistas estavam obviamente zangados com o embargo. Ele voou outra vez a Paris e, poucas horas depois, ficou sabendo que a notícia já havia sido publicada e decidiu chamar Londres para anunciar o fim da guerra', relatou Julia, filha única do jornalista que, com os anos, seguiu os mesmos passos profissionais de seu pai.

Durante a conversa, Kennedy só pôde ditar apenas 200 palavras, mas foram suficientes para que a notícia chegasse ao mundo todo e evitasse, durante essas horas de censura e silêncio, que milhares de soldados se enfrentassem por uma causa que já não existia.

'Ao longo de cinco anos alegaram que a única razão da censura era salvar vidas. A guerra terminou. Eu mesmo assisti a rendição e por que as pessoas não devem saber?', argumentou no jornalista no Escritório de Censura, advertindo que iria tornar público o fim do confronto.

Essa decisão, no entanto, acabou custando seu emprego. Apesar de ter escrito com seu punho uma parte da história, a agência 'AP' o expulsou da Europa e da empresa sob a acusação de ter quebrado um embargo militar.

'Acho que nunca os perdoou, mas seguiu sua vida. Após o episódio, ele foi para a Califórnia para comandar um jornal e continuou ali sua vida profissional. Mas eu tenho certeza de que nunca perdoou seus antigos chefes', insiste Julia, que reviveu as lembranças de seu pai ao editar e publicar suas anotações como correspondente - 'War: V-E Day, Censorship & The Associated Press' (Guerra: o Dia da Vitória, Censura e a Associated Press).

No dia da publicação do livro, o atual presidente da agência, Tom Curley, pediu perdão pela decisão tomada contra Kennedy e assegurou que esse fato não voltaria a se repetir na atualidade porque 'Ed fez o correto'.

Mesmo assim, lembrar a história do correspondente americano abriu velhos e eternos debates sobre a responsabilidade do jornalista e a censura, que, segundo Julia, 'continua tristemente vigente'. EFE

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