12/01/2009 - 15:09
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Oriente Médio

Israel estuda ação de 'alto risco' para destruir túneis

Com agência Reuters

Os planos militares de Israel na Faixa de Gaza incluem a opção de retomar uma faixa estreita de terra que separa o encrave costeiro do Egito, para tentar impedir o Hamas de se rearmar, disseram diplomatas ocidentais nesta segunda-feira. Na noite de domingo para segunda-feira, Israel intensificou o bombardeio aéreo do chamado corredor Philadelphi, para destruir túneis que o grupo islâmico poderia utilizar para a passagem para dentro e fora do território de foguetes de alcance mais longo, além de militantes.

Diplomatas ocidentais, que falaram com a condição de que fosse preservado seu anonimato, descreveram uma operação terrestre para retomar o corredor Philadelphi e partes da cidade de Rafah como sendo uma das principais opções para a "terceira fase" da ofensiva israelense, caso as negociações para um cessar-fogo fracassem. Uma operação terrestre ao longo do corredor permitiria a Israel usar máquinas de terraplanagem e equipamentos sonares para destruir túneis que ainda não foram destruídos apenas com os ataques aéreos.

Operadores palestinos locais dos túneis estimam que várias centenas dos túneis secretos foram inutilizados, mas que centenas de outros permanecem intactos. O domínio do corredor Philadelphi, de 14 quilômetros de extensão, daria a Israel um trunfo de barganha nas negociações de cessar-fogo, disseram diplomatas. Israel exigiu garantias de segurança do Egito e de potências ocidentais para assegurar que os túneis não sejam reconstruídos, mas restam divergências sobre como isso pode ser feito.

 

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Alto risco - O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, enfatizou a importância de tomar "medidas eficazes" no corredor Philadelphi em reunião que teve na noite de domingo com o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, mas seu gabinete não deu mais detalhes. Um diplomata europeu disse que um alto funcionário da inteligência militar israelense, em briefing reservado, admitiu a natureza de alto risco que teria uma operação em terra para reocupar a zona da fronteira.

A faixa arenosa tem apenas algumas centenas de metros de largura em alguns pontos, deixando as tropas terrestres vulneráveis a emboscadas e ataques por foguetes. Esse fato foi um fator importante na decisão israelense de deixar o corredor quando retirou suas tropas e seus colonos da Faixa de Gaza, em 2005. A visão de soldados israelenses arrastando-se na terra ao longo do corredor em busca dos restos mortais de cinco companheiros despedaçados numa explosão em 2004 ainda está gravada na memória dos israelenses.

"Alguns líderes israelenses querem fazê-lo (tomar o corredor Philadelphi) e outros acham que é loucura", disse o diplomata europeu. Antes da ofensiva atual, Israel estimava que havia centenas de túneis. Os palestinos dizem que havia mais de 3.000. Os túneis incluem alguns profundos e com largura suficiente para permitir a passagem de objetos tão grandes quanto vacas, cavalos e foguetes Katyusha. Uma rede de poços menores de acesso está ligada a esses túneis.

Leia em VEJA desta semana (na íntegra para assinantes):

As atrocidades da guerra na Faixa de Gaza atrapalham o entendimento de Israel como uma ilha de democracia cercada de ditaduras no Oriente Médio. Não haverá paz enquanto os vizinhos hostis não aceitarem que a existência do estado judeu é legítima, que o país tem o direito de se defender e que o terrorismo destrói o que pretende construir.

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