Justiça
Israel deporta passageiros de navios que iam para Gaza
Vinte e sete pessoas foram presas e seis voltaram para a casa. Outros prisioneiros devem deixar o país nas próximas 72 horas
Navios interceptados por Israel perto de Gaza (Reuters)
Israel começou a deportar neste sábado os passageiros dos dois navios que na sexta-feira tentaram romper o bloqueio a Gaza, informou o Ministério israelense do Interior. Sabin Haddad, porta-voz do ministério, disse à Agência Efe que 6 dos 27 passageiros retornaram às suas casas entre sexta e sábado.
Um deles é o espanhol Aiman Zoubier, correspondente em Madrid da rede de televisão Al Jazeera. Os cinco restantes são um palestino com cidadania israelense, os dois capitães gregos dos navios, uma jornalista egípcia e outra jornalista da 'Al Jazeera', a americana Casey Kauffman.
Entenda o caso
- • No dia 31 de maio, soldados israelenses invadiram barcos que levavam ajuda humanitária a Gaza - a chamada Flotilha da Liberdade -, deixando nove turcos mortos.
- • Os ativistas pró-palestinos tentavam furar o cerco militar desde 2007, quando o Hamas ganhou força; Israel defende que bloqueio é necessário para evitar o acesso de militantes islâmicos a armas.
- • A Turquia costumava ser o principal aliado de Israel no mundo islâmico, mas a relação diplomática entre os países ficou abalada.
- • Relatório da ONU concluiu uso de força excessiva no bloqueio de Israel, que disse lamentar as mortes, enquanto a Turquia pretende levar o caso à Corte Internacional.
O restante, a maioria canadenses, americanos, australianos e irlandeses, permanecem numa prisão perto de Tel Aviv e serão deportados nas próximas 72 horas. Dois jornalistas, um inglês e um irlandês, recusaram-se a ser libertados, acrescentou Haddad.
Exceto o palestino, os passageiros foram acusados de "entrada ilegal" em Israel e não poderão ingressar no país nos próximos dez anos. Segundo Huwaida Arraf, porta-voz do protesto, batizado de "Freedom Waves to Gaza", as autoridades israelenses não permitirão que as 21 pessoas presas, que pedem para falar com um juiz, liguem para seus advogados.
A viagem foi feita em dois navios, o canadense Tahrir e o irlandês Saoirse. Os passageiros foram levados para o porto na tarde de sexta-feira. As duas embarcações foram abordadas em águas internacionais do Mediterrâneo, a 65 quilômetros de Gaza, após várias pedidos para que desviassem para Ashdod ou para o território egípcio. Aparentemente ninguém ficou ferido nem resistiu à prisão. A abordagem à flotilha começou com o lançamento de jatos d'água dentro dos barcos.
"Os dois ou três primeiros soldados que subiram a bordo eram muito agressivos. Eles tinham armas paralisantes e canhões d'água, mas perceberam que nós éramos ativistas pacíficos e que tinham o navio sob controle", relatou a jornalista da Al Jazeera.
Os dois navios partiram em segredo da Turquia na quarta-feira. Esta foi a 11ª vez que ativistas tentaram romper o bloqueio marítimo imposto por Israel a Gaza. Em 2010, o embargo foi amenizado após o ataque à Flotilha da liberdade, no qual morreram nove ativistas turcos. Durante o governo de Ehud Olmert como primeiro-ministro israelense, algumas embarcações chegaram à Gaza, mas a repressão aumentou com a chegada ao poder de Benjamin Netanyahu.
(Com Agência EFE)





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