Ameaça nuclear
Irã promete resposta 'argumentada' ao relatório da AIEA
Documento da agência afirma que o país estuda produção de bomba atômica
AIEA diz que regime de Ahmadinejad prepara armas nucleares (Raheb Homavandi/Reuters)
"O Irã atuará com dignidade, sabedoria e de acordo com seus interesses"
Ali Akbar Salehi, chanceler
O Irã enviará uma carta para responder ao recente relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que se refere a "uma possível dimensão militar" do programa nuclear do país, declarou nesta quarta-feira o chanceler Ali Akbar Salehi.
"Optamos pelo envio de uma resposta argumentada ao informe do diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano", declarou Salehi, citado pelo site da rede de televisão estatal. O chanceler acrescentou que este documento será distribuído a todos os países e organizações internacionais envolvidos e será assinado pelo chefe do programa nuclear iraniano, Fereydun Abasi.
"Amano atuou de forma injusta e sem medir o que dizia", afirmou Salehi, que reiterou que o relatório foi feito sob "pressões de países ocidentais" e "solapou a credibilidade do organismo". Por essa razão, segundo o ministro iraniano, "ninguém acreditou nele". De acordo com o chanceler, o Irã está em contato com a AIEA "para que a situação não piore, já que se trata-se uma instituição internacional importante, que deve seguir cumprindo suas responsabilidades".
Finalidade - As atividades nucleares do Irã prosseguem, segundo Salehi, que repetiu que o "programa nuclear pacífico iraniano foi desenvolvido ao longo dos últimos dez anos sem parar". Enquanto diversos países, com os Estados Unidos à frente, acreditam que o programa nuclear iraniano tem fins militares, as autoridades de Teerã reiteraram que seus objetivos são exclusivamente civis, especialmente gerar energia e usos médicos. "O Irã atuará com dignidade, sabedoria e de acordo com seus interesses", concluiu Salehi.
Na semana passada, a AIEA afirmou que há indício claro de que o Irã pode estar desenvolvendo armas nucleares, afirmando que tem "sérias preocupações" a respeito das dimensões militares do programa nuclear iraniano. Citando informações "confiáveis" de inteligência estrangeira e investigações próprias, a entidade indicou que o Irã praticou atividades relevantes para o desenvolvimento de um dispositivo nuclear explosivo. A divulgação do documento aumentou ainda mais o temor das potências ocidentais quanto ao programa desenvolvido pela República Islâmica, que se recusa a interromper o enriquecimento de urânio.
(Com agência France-Presse)




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