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Ingrid Betancourt é solta por Exército colombiano

02/07/2008 16:33

Reuters

A ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, 45 anos, falou pela primeira vez depois de passar mais de seis anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ela agradeceu a Deus e aos soldados do Exército colombiano que a resgataram junto com mais 14 reféns nesta quarta-feira. Ela narrou como foi a operação de resgate e afirmou que a sua libertação é "um sinal de paz" para o país.

 

"Agradeço a Deus primeiro, a todos vocês que me acompanharam, que sentiram compaixão, e ao Exército", afirmou emocionada em entrevista coletiva ao chegar em Bogotá, capital da Colômbia. Betancourt agradeceu também à França e ao presidente Nicolas Sarkozy por seu apoio e solidariedade com os seqüestrados.

 

Ela afirmou que a operação de resgate foi perfeita e "um duro golpe para a guerrilha". "Não creio que há na história do mundo uma operação tão fantástica". Ao narrar a operação de resgate, a ex-refém contou que começou ao amanhecer. Ela disse que nenhum refém suspeitou e que só se deram conta de que foram resgatados quando um dos supostos guerrilheiros gritou: "somos o Exército da Colômbia, vocês estão livres" dentro do helicóptero.

 

Em seu discurso à imprensa ela enfatizou que durante o resgate nenhum guerrilheiro foi morto e que isso é "um sinal de paz para a Colômbia". "Podemos conseguir a paz se confiarmos em nossas Forças Armadas, e eu quero agradecer a cada soldado da Colômbia, pois estão demonstrando que a paz é possível, com inteligência, com prudência, com sabedoria", afirmou.

 

Betancourt falou sobre a difícil decisão de se fazer uma operação militar para resgatar reféns por causa dos riscos e afirmou que espera que a libertação dos demais prisioneiros venha pela via da negociação. No entanto, afirmou mais uma vez que se não for assim, é preciso ter confiança nas forças militares.

 

Resgate - Segundo o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, o Exército da Colômbia se infiltrou na cúpula das Farc para libertar os quinze seqüestrados, enganando dois rebeldes e fazendo com que eles acreditassem que iam a um encontro com o chefe máximo rebelde, Alfonso Cano. Ele contou que os militares infiltrados haviam feito um acordo com o comandante César, das Farc, para supostamente levar os prisioneiros de helicóptero até o lugar onde estaria Cano. Os rebeldes foram então rendidos.

 

O resgate foi feito na selva, na região do Departamento de Guaviare, no sudoeste da Colômbia. "Esta operação não tem precedentes e deixa em alta a qualidade e profissionalismo das Forças Armadas Colombianas", completou. Santos afirmou que os guerrilheiros foram presos, mas não feridos "para que as Farc em reciprocidade soltem o resto dos seqüestrados".

 

"Seguiremos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados. Fazemos um apelo aos atuais líderes das Farc para que não se matem, libertem os outros reféns e não sacrifiquem seus homens", disse Santos. Ao final da coletiva de imprensa em que anunciou o resgate dos reféns, o ministro da Defesa afirmou que se as Farc quiserem negociar terão "uma paz digna".

Comoção - Os apelos pela libertação de Betancourt ganharam repercussão internacional nos últimos meses, depois da exibição de um vídeo em que ela aparecia extremamente abatida -- segundo seus familiares, Betancourt morreria caso não fosse retirada da selva rapidamente. O governo francês também fez repetidos apelos pela soltura -- Betancourt tem origem franco-colombiana.

 

Sarcozy - O presidente da França, Nicolas Sarcozy, fez um pronunciamento nesta quarta-feira agradecendo a seu colega colombiano Álvaro Uribe pela liberdade de Betancourt. O presidente francês também pediu às Farc que pare com "seu combate absurdo". O presidente francês estava participando ativamente das negociações pela libertação da ex-refém e inclusive chegou a mandar militares em missões para tentar o resgate. Sarcozy chegou a fazer um apelo transmitido por emissoras de TV para que as Farc libertassem Betancourt.

Seqüestro - Betancourt foi seqüestrada depois de visitar a zona delimitada de São Vicente del Caguán para se encontrar com membros das Farc, em 23 de fevereiro de 2002. Na ocasião ela era candidata à presidência da Colômbia. Autoridades insistiam para que Betancourt não visitasse a região. Após ter o pedido de transporte com um helicóptero militar negado, ela decidiu ir pela estrada.

Betancourt era uma das mais importantes reféns que as Farc mantinham em cativeiro - fazia parte do grupo de 40 prisioneiros políticos que eram passíveis de troca por guerrilheiros presos pelo governo colombiano. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, conhecido como linha dura com as Farc, anunciou vários planos de resgate ao longo desses seis anos. Entre eles um para enviar rebeldes presos ao exterior, com apoio da França, em troca da libertação de seqüestrados políticos. No entanto, ela não foi libertada.

Carreira - Betancourt, nascida em Bogotá, veio de uma família de políticos. Seu pai, Gabriel Betancourt, foi ministro da ditadura do general Rojas Pinilla e depois se tornou diplomata, enviado a Paris, onde cresceu. Sua mãe, a Miss Colômbia Yolanda Pulecio, serviu o Congresso representando as comunidades pobres do sul de Bogotá.

Na década de 90, ela trabalhou no Ministério das Finanças e foi eleita para a câmara dos deputados em 1994, lançando o Partido do Oxigênio Verde. Combateu a corrupção e o financiamento de campanha com dinheiro de drogas. Concorreu ao Senado em 1998, conquistando o maior número de votos entre os candidatos. Durante seu mandato, ameaças de morte a forçaram enviar seus filhos para Nova Zelândia. No final de 2001 Betancourt decidiu se candidatar a presidente.

 

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