Tarja - Guerra Civil na Síria

Mundo islâmico

EUA: plano de transição abre caminho para era pós-Assad

Acordo fechado em Genebra propõe governo com membros do regime atual

Secretária de Estado Hillary Clinton

Secretária de Estado Hillary Clinton (Ueslei Marcelino/REUTERS)

O acordo concluído neste sábado em Genebra pelo Grupo de Ação sobre a Síria abriu "o caminho para a era pós-Assad", afirmou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, durante uma entrevista coletiva à imprensa. Os Estados Unidos, acrescentou ela, vão convocar o Conselho de Segurança da ONU para submeter ao organismo este acordo, que prevê o estabelecimento de um governo de transição na Síria que poderá incluir membros do atual regime.

Entenda o caso


  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

"Assad deve sair", acrescentou. Segundo ela, ele não poderá permanecer no governo de transição por causa do "sangue que tem nas mãos". "Ninguém se ilude", afirmou ainda. "Estamos lidando com um regime assassino", e toda a região em torno da Síria "pode ser afetada". "Mas se não houver ação, haverá ainda mais mortes, ainda mais refugiados, e um risco de instabilidade nos estados vizinhos."

A secretária de Estado americana afirmou também que os Estados Unidos, assim como os outros países, vão reunir na próxima semana em Paris aqueles que apoiam a oposição síria para expor este plano de transição. "O futuro da Síria pertence ao povo sírio", acrescentou.

População - Por outro lado, Rússia e China negaram que esteja sendo articulada a saída de Assad e defenderam que o próprio povo sírio decida sobre o plano de transição no país, que não deve ser imposto de fora.

O ministro chinês das Relações Exteriores, Yang Jiechi, estimou que o plano de transição só pode ser dirigido pelos sírios e com o aval de todas as partes importantes na Síria. "Gente do exterior não pode tomar decisões pelo povo sírio", disse;.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, reafirmou que a decisão sobre o plano de transição cabe aos próprios sírios. "A maneira certa de conduzir a transição para outra etapa precisa ser decidida pelos próprios sírios", explicou o ministro russo. "Não se pode excluir deste processo qualquer grupo, mas este aspecto está presente em muitas das propostas de nossos interlocutores e estamos convencidos de que isto é inaceitável".

Acordo - O documento final do acordo de Genebra, assinado pela China, Rússia, Estados Unidos, França, Reino Unido, Turquia, Liga Árabe, ONU e a União Europeia defende o estabelecimento de um órgão governamental de transição, que possa estabelecer um entorno neutro no qual se desenvolva uma transição.

Deve-se permitir a participação de todos os grupos e segmentos da sociedade num processo de diálogo nacional. Esse processo não só deve ser inclusivo, mas tem que alcançar resultados", diz o documento, que faz referência também a "uma revisão da ordem constitucional e do sistema legal".

O passo seguinte seria a redação da Constituição síria, que deve ser submetida à aprovação popular. "Uma vez que se consolide uma nova ordem constitucional, é necessário ser realizada eleições pluripartidárias livres e justas para as novas instituições que se estabeleçam."

(Com agência France-Presse)

Serviços

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados