Oriente Médio

Após tiroteio na fronteira, Hezbollah ameaça Israel

Troca de tiros entre militares dos dois países deixou cinco mortos e vários feridos

Soldados libaneses na fronteira do país com Israel, após conflito que deixou 5 mortos

Soldados libaneses na fronteira do país com Israel, após conflito que deixou 5 mortos (AFP)

O chefe do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, ameaçou Israel depois dos confrontos desta terça-feira na fronteira entre os dois países. Nasrallah disse que seus militantes não ficarão de braços cruzados "se Israel atacar " novamente.  A troca de tiros deixou cinco mortos - três soldados e um jornalista libaneses, além de um oficial israelense. Há informações, também, de que vários outros soldados de Israel estejam feridos. De acordo com testemunhas, o confronto teria começado quando israelenses tentaram cortar uma árvore em território libanês, que teria disparado em sinal de alerta.

O exército do Líbano diz que só começou a atirar depois de não obter resposta israelense quanto aos disparos de alerta e dizem que tentavam evitar que os soldados do país vizinho derrubassem a árvore que bloqueava a visão para a aldeia de Adaysseh. "Os soldados israelenses começaram a atirar, o exército libanês respondeu", enfatizou o porta-voz do Hezbollah.

Já a Força de Segurança de Israel argumenta que seus soldados trabalhavam normalmente, perto da cidade de Kiryat Shemona, quando receberam avisos para evacuar a área. “Os soldados estavam em um exercício rotineiro dentro do território de Israel, em uma área entre a Linha Azul (limite internacionalmente reconhecido entre os dois países) e a grade de segurança”, informou, à rede britânica BBC. Poucas horas após o início da troca de tiros, Israel advertiu o Líbano de que deverá enfrentar as consequências se ocorrerem novos choques na fronteira comum, em um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

ONU - A porta-voz da ONU na região, Andrea Tenenti, confirmou que houve trocas de tiros entre os dois exércitos na região de Edayseh. "A prioridade, no momento, é restaurar a calma na região. O vice-comandante da Força, Santi Bonfanti, já está em contato com a Força Armada Libanesa e as Forças de Defesa de Israel para pedir por cautela máxima", declarou.

Israel e Líbano vivem em clima de constante tensão. O conflito mais grave entre os dois países aconteceu no verão de 2006, depois da captura pelo Hezbollah de dois soldados israelenses na fronteira. Uma guerra de 34 dias foi travada entre o estado hebreu e o partido xiita, matando mais de 1.200 libaneses, em maioria civis, e 160 israelenses, principalmente militares. Israel não conseguiu destruir a capacidade militar do Hezbollah, impedir tiros de foguete contra seu território e obter a libertação dos dois soldados - cujos corpos foram entregues depois.

(Com AFP)

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