Internacional
Palestina
Hamas pede revisão do nome de Abbas para premiê
Decisão da cúpula do grupo na Faixa de Gaza contraria posição de líder exilado
Mahmoud Abbas aparece ao lado do emir do Catar, Hamad bin Khalifa al Thani, e do líder do Hamas Khaled Meshaal, após acordo que indicou Abbas para premiê interino da Palestina (Reuters)
A direção do movimento radical islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza, criticou nesta quarta-feira a nomeação de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), para o cargo de primeiro-ministro do governo de coalizão palestino. Na segunda-feira passada, o nome de Abbas foi indicado após um acordo entre as facções políticas palestinas.
Em comunicado divulgado pela agência de notícias oficial Wafa, o grupo parlamentar Mudança e Reforma (braço político do Hamas desde as eleições de 2006) pede que a designação de Abbas à frente do governo interino, responsável pela preparação das eleições na Palestina, seja revista.
De acordo com o Hamas, a nomeação do atual presidente da ANP fragiliza a Lei Básica palestina, pois ele assumiria também o posto de chefe de governo. O partido Mudança e Reforma pediu às partes signatárias do pacto que reconsiderem este ponto para, segundo eles, manter o respeito à lei.
Racha – A reação da cúpula do Hamas representa um grande revés para a aplicação do acordo de reconciliação entre o grupo e o Fatah, partido de Abbas, assinado em maio do ano passado no Cairo. Além disso, expõe o racha interno no Hamas, entre a o dirigente do grupo radical exilado na Síria, Khaled Meshaal – que apoiou a nomeação de Abbas – e a liderança em Gaza, cujos principais nomes são primeiro-ministro Ismail Haniyeh e o cofundador do grupo Mahmoud Zahar.
A posição da cúpula em Gaza prejudica também a imagem de coesão que o Hamas tem procurado transmitir. O comunicado desta quarta é uma rara ocasião em que as divergências internas se apresentam publicamente. O protesto pode frear a formação do governo de coalizão na Palestina, que incluirá tecnocratas palestinos independentes e terá como missão preparar as eleições legislativas e presidenciais, previstas para 4 de maio. O pleito está há meses agendado para maio, mas o Comitê Eleitoral Central já advertiu que será impossível prepará-lo para essa data devido aos atrasos que foram se acumulando com as negociações.
(Com agência EFE)




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