Afeganistão
Guerra passa por mês mais sangrento desde 2001
Soldados americanos chegam ao campo da Otan Kandahar, no sul do Afeganistão (AFP)
O mês de junho chega perto de seu fim marcando o período mais violento para as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, informou nesta segunda-feira o jornal espanhol El País. O número de baixas militares estrangeiras no país está perto de cem, num momento em que o chefe da Central de Inteligência Americana (CIA) admitiu que a guerra contra os talibãs é “mais dura e mais longa do que o previsto”.
Desde o início da missão, em 2001, este foi o mês em que mais mortes foram registradas. Ao todo, 99 soldados morreram em batalhas, antes mesmo do fim de junho. Até maio deste ano, o registro mais sangrento era de agosto de 2009: 77 soldados mortos. O balanço de baixas desde o início de 2010 é de 319 frente às 520 durante todo o ano passado.
Na recente onda de ataques, o atentado mais grave ocorreu no domingo, no norte do país. Quatro soldados noruegueses morreram na explosão de uma bomba na província de Faryab. Segundo o ministério da Defesa britânico, um soldado também morreu durante um tiroteio na província de Helmand (sul).
No ano passado, os exércitos americano e inglês encabeçaram uma campanha para retomar o controle das províncias do sul. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por sua vez, garantiu que suas tropas não abandonarão o Afeganistão de forma repentina, apesar de apoiar a ideia dos países industrializados de por fim à guerra nos próximos cinco anos.
Guerra dura e lenta - Em entrevista à emissora americana ABC no domingo, o diretor da CIA, Leon Panetta, afirmou que os Estados Unidos avançam no Afeganistão, mas a guerra, que completa nove anos, tem sido "mais dura e mais lenta que o previsto". O funcionário defendeu a estratégia de Obama de enviar, a partir de dezembro passado, 30.000 militares adicionais e alcançar, em agosto deste ano, 150.000 homens no Afeganistão.
Nomeado à frente da Central de Inteligência sob o governo Obama no ano passado, Panetta insistiu que "a questão fundamental é se os afegãos aceitam a responsabilidade" do combate à insurgência uma vez que as forças estrangeiras deixarem seu país.
"Se puderem fazer isto, acho que poderemos conseguir o tipo de progresso e de estabilidade que o presidente pretende", enfatizou, mostrando-se otimista sobre as possibilidades de finalmente encontrar o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden. "Se mantivermos a pressão, acho que finalmente poderemos obrigá-lo a sair" de seu esconderijo nas regiões montanhosas da fronteira com o Paquistão e capturá-lo, disse.
No entanto, Panetta reconheceu que os serviços secretos americanos carecem de informações precisas sobre a sua localização. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001 contra Washington e Nova York, iniciou-se a ocupação do Afeganistão, onde supostamente o líder terrorista se escondia.
Comando das tropas - O presidente Barack Obama demitiu na última quarta-feira o general Stanley McChrystal, depois que ele criticou o governo à revista Rolling Stone, e nomeou o general David Petraeus, a quem se atribui uma série de vitórias durante a guerra no Iraque.
McChrystal anunciou, nesta segunda-feira, que pretende se aposentar. Grupos islâmicos afirmaram que a mudança é uma prova de que os Estados Unidos e seus aliados perderam a guerra. O governo americano, contudo, disse que esta foi apenas "uma troca de pessoas" e não de "estratégia".
(Com agência France-Presse)



Comentários
Neide
Que desperdicio!!tanto homem lindo morrendo, meu Deus,!!!
24.03.2012
Victor
Só uma observação: Osama bin Laden já foi encontrado!
24.06.2011