23/02/2012 - 06:09
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Política

Exposição nos EUA mostra um século de cobertura das eleições presidenciais

Lucía Leal.

Washington, 23 fev (EFE).- Quando chega a época das eleições nos Estados Unidos a relação entre os políticos e a imprensa se torna especialmente tensa, mas os rumores e escândalos deixaram de se passar somente na frente da casa dos candidatos e agora circulam na internet.

Este é o tema da mostra 'Every Four Years' ('A Cada Quatro Anos'), em exposição no Newseum de Washington, onde serão recordadas todas as relíquias da cobertura das campanhas presidenciais dos Estados Unidos, passando pelas paródias mais famosas, como a que a atriz Tina Fey fez da ex-governadora Sarah Palin em 2008.

O chapéu de cowboy de George W. Bush em 2004, a camisa de futebol americano que Ronald Regan vestiu em 1984 e o paletó que Hillary Clinton usou quando anunciou que iria competir pelos democratas em 2008 também estão na mostra, entre gravadores e notas dos jornalistas que os seguiam.

Mas o que realmente interessa para a curadora da exposição Cathy Trost é o processo de identificação do público com estes objetos, e como isto os aproxima de candidatos que nem sequer chegam a visitar suas cidades.

'As campanhas modernas começaram em 1897, quando William McKinley foi eleito. Ele nunca pôs os pés fora da varanda de sua casa em Ohio, fez com que os jornalistas fossem até ele. Mas seu rival, William Jennings Bryan, viajou milhares de quilômetros, e abriu o caminho', disse Cathy à Agência Efe.

A partir daí, o transporte e a tecnologia se transformaram em peças-chave para edificar as campanhas e os repórteres, viajando em trens fretados pelos candidatos, começaram a publicar histórias cada vez mais parecidas entre si, enquanto o acesso ao político ficava cada vez mais limitado.

Franklin D. Roosevelt se tornou nos anos 30 em um ícone do rádio, e John F. Kennedy dominou a televisão, que inclusive chegou a favorecê-lo depois que em debate com Richard Nixon conseguiu virar a opinião dos eleitores a seu favor.

Com o advento da internet, os candidatos conseguiram algo inimaginável: 'desviar a atenção da imprensa e enviar suas mensagens diretamente aos eleitores', explicou Trost.

O Twitter, uma ferramenta que mostrou seu poder especialmente na atual corrida presidencial à Presidência dos EUA, foi além ao conseguir que essas mensagens 'corressem como pólvora em questão de minutos'.

A primeira edição da revista 'Politico', que surgiu durante a campanha presidencial de 2008, está na exposição como uma mostra de uma cobertura cada vez mais especializada e exclusiva, que ao mesmo tempo garante mais informação do que nunca e que aproximou ainda mais a relação dos americanos com o poder.

Essa relação era tão comedida que publicar algo sobre a vida particular dos candidatos era expressamente proibido, mas isso mudou com o escândalo sexual do aspirante democrata Gary Hart nos anos 80, disse Cathy.

Uma capa de um jornal de 1992, que revela a aventura do então candidato à Presidência Bill Clinton com a modelo Gennifer Flowers, contrasta com as fotos de Franklin Roosevelt que nunca foram divulgadas para evitar que fosse visto em cadeiras de rodas, algo considerado particular.

Porém, a elegância de antigamente nunca impediu que o humor e as paródias dos candidatos fizessem o leitor do século XIX dar boas risadas.

'Rir dos candidatos presidenciais é o básico de uma cobertura de campanha há séculos', garantiu Cathy.

Mas a gozação passou a um outro nível em 2008, quando as paródias dos programas noturnos de Jon Stewart e Stephen Colbert e do 'Saturday Night Live', as elevaram à categoria de 'fenômeno cultural'.

Como exemplo, a exposição mostra os terninhos que as atrizes Tina Fey e Amy Poehler usaram em sua famosa interpretação de Sarah Palin e Hillary Clinton em 2008, e o paletó feito com pacotes de Doritos que Colbert usou para anunciar que tinha conseguido patrocínio para sua campanha à Presidência.

A máscara que Barack Obama levou ao programa em 2007 fecha a exposição como exemplo destes artifícios que já foram rechaçados pelos eleitores e hoje são recursos quase obrigatórios em campanhas cada vez mais complexas. EFE

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