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Ex-editorialista de jornal equatoriano pede asilo nos EUA
Miami, 7 fev (EFE).- O jornalista Emilio Palacio, ex-chefe de opinião do jornal equatoriano 'El Universo', solicitará asilo nos Estados Unidos nesta quarta-feira, após ter sido condenado a três anos de prisão no Equador por um processo aberto contra ele na Justiça pelo presidente Rafael Correa.
Palacio terá nesta quarta-feira uma audiência no Escritório de Asilo de Miami do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos às 8h locais (11h de Brasília). Ele irá acompanhado de sua esposa e de seus dois filhos - de 19 e 7 anos -, que também solicitarão asilo.
'Amanhã exporei meus argumentos e a documentação necessária aos funcionários do Departamento de Estado para solicitar o asilo neste país', explicou Palacio à Agência Efe nesta terça-feira.
O jornalista de 58 anos argumentará que teme ser perseguido em seu país devido a suas 'opiniões políticas' e por 'ser membro de um determinado grupo social', o de 'jornalistas independentes no Equador'.
A documentação que ele apresentará às autoridades americanas, à qual a Efe teve acesso, alega que Palacio é crítico ao governo do Equador e, sobretudo, ao presidente do país, Rafael Correa.
As quase 20 páginas de documentos argumentam que, no dia 24 de agosto de 2011, o jornalista se viu obrigado a sair de seu país para 'escapar de uma campanha de assédio constante e perseguição' orquestrada por Correa, que, 'durante mais de cinco anos', junto a 'altos funcionários públicos do governo, publicamente denunciaram, atacaram e insultaram Palacio'.
Os papéis fazem referências a organizações internacionais que condenaram o governo Correa pelo litígio na Justiça e alegam que o ex-editorialista não teve um processo judicial justo.
'Ao senhor Palacio, lhe foi negado um processo justo e a oportunidade de se defender no Equador, já que os juízes do caso eram alvo de influência política e corrupção. Os danos e condenação criminal buscados pelo presidente Correa são totalmente desproporcionais com relação ao suposto crime de difamação', acrescenta a documentação.
Finalmente, argumenta-se que 'Palacio não pode voltar ao Equador porque seria imediatamente detido e preso por causa de um julgamento injusto contra ele'.
Depois da audiência de quarta-feira, as autoridades americanas avaliarão se concedem ou não o asilo, algo que o interessado poderá apelar.
'Eu sou otimista, mas o processo pode levar meses', apontou o jornalista. Ele reconheceu que foi difícil para toda sua família tomar esta decisão.
Palacio, assim como três diretores do 'El Universo', foram condenados a três anos de prisão e a uma multa de US$ 40 milhões de indenização pelo processo interposto por Correa a título pessoal - e não como presidente do Equador. A Justiça considerou injurioso um artigo de opinião divulgado pelo jornal.
O caso se refere a uma coluna publicada em fevereiro de 2011, quando Palacio afirmava que o líder tinha ordenado abrir 'fogo à vontade' contra um hospital repleto de civis durante uma revolta de policiais.
Correa, ao tentar sufocar o protesto, estava no foco da manifestação, mas teve de permanecer por mais de nove horas em um hospital policial, do qual foi resgatado após uma operação militar em meio a um intenso tiroteio. EFE
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