Mundo islâmico

Embaixador dos EUA morre em ataque a consulado na Líbia

Atentado, confirmado por Barack Obama, deixou outros 3 americanos mortos. Filme considerado por muçulmanos ofensivo ao Islã teria motivado episódio

O embaixador americano na Líbia, J. Christopher Stevens, morreu no ataque que um grupo de homens armados lançou na noite de terça-feira contra o consulado dos Estados Unidos em Bengasi, em protesto pelo lançamento de um filme que muçulmanos consideram ofensivo ao Islã. A informação, que já havia sido noticiada pelo vice-ministro de Interior para o Oriente da Líbia, Wanis al-Sharif, foi confirmada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que considerou o episódio "ultrajante".

Reprodução/Corriere della Sera

Imagens do embaixador Christopher Stevens após atentado na Líbia

Imagens do embaixador Christopher Stevens após atentado na Líbia vazaram na internet

Outros três funcionários americanos da embaixada foram mortos - dois deles membros da segurança que tentaram controlar a situação e foram baleados. Em nota oficial, Obama disse ter dado instruções para proteger os cidadãos americanos na Líbia. Enquanto isso, de acordo com o jornal Corriere della Sera, imagens do embaixador ferido, logo após o ataque, começaram a circular pela internet.

Al Sharf afirmou que os corpos das vítimas e os funcionários da missão diplomática estão sendo transferidos para Trípoli. Segundo declarações do responsável da Alta Comissão de Segurança em Bengasi, Fawzi Wanis, ao canal de televisão catariano Al Jazeera, o embaixador morreu por asfixia, como consequência do incêndio que atingiu o edifício.

O filme - O ataque contra o consulado, no bairro residencial de Al Fuihat, teria sido motivado por um filme de baixo orçamento produzido pelo americano de origem israelense Sam Bacile. De acordo com o site do The Wall Street Journal, o filme Innocence of Muslims (A Inocência dos Muçulmanos, em tradução livre do inglês)  foi traduzido para o árabe e um trailer foi postado recentemente no Youtube. Bacile, que está escondido para evitar retaliação, disse, em entrevista ao site do jornal americano, que  o "Islã é um câncer" e que sua obra é política e não religiosa. Ele contou, ainda, ter arrecadado US$ 5 milhões junto a 100 doadores judeus para produzir o filme.

Segundo o New York Times, o filme ganhou súbita projeção internacional depois que o pastor Terry Jones, que lidera uma pequena igreja com tendências anti-islâmicas em Gainesville, na Flórida, passou a divulgá-lo - especialmente neste 11 de setembro, proclamado por Jones como o "Dia Internacional do Julgamento de Maomé". Em comunicado nesta terça-feira, o pastor afirmou que o filme não ataca os muçulmanos, "mas mostra a ideologia destrutiva do Islã". No ano passado, Jones queimou exemplares do Corão em sua igreja. Em uma espécie de julgamento, o livro sagrado dos muçulmanos é considerado pelo pastor "culpado" de várias acusações, entre elas assassinato. 

Ben Curtis/AP

O diplomata americano J. Christopher Stevens

O diplomata americano J. Christopher Stevens

Repercussão - Nesta madrugada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, condenou energicamente o ataque. Em comunicado, afirmou que os EUA estão " de coração partido com esta perda terrível". Em relação ao filme apontado como ofensivo ao Islã, a secretária de Estado disse que lamenta qualquer tentativa de denegrir outras crenças religiosas. "Mas deixe-me ser clara: não há nenhuma justificativa para atos de violência deste tipo", informou, na nota.

 (Com agências EFE e Reuters)

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