Tarja para o tema Revolta no Egito
 
08/02/2011 - 18:09
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África

Egípcios fazem protesto, apesar de reformas do governo

Ministro do Interior também emitiu ordem de libertação para 34 presos políticos. O ativista Wael Ghonim deu uma emocionante entrevista detalhando sua prisão

De acordo com a rede britânica BBC, protesto desta terça-feira foi o maior desde o início da revolta no Egito

De acordo com a rede britânica BBC, protesto desta terça-feira foi o maior desde o início da revolta no Egito (Pedro Ugarte/AFP)

Milhares de egípcios fizeram uma nova grande manifestação na praça Tahrir, no Cairo, nesta terça-feira, sinalizando que rejeitam as mudanças anunciadas pelo presidente, Hosni Mubarak. De acordo com a agência de notícias estatal do Egito, o governo anunciou a libertação de 34 presos políticos - entre eles o ativista pró-democracia egípcio Wael Ghonim, um funcionário do Google de 30 anos que ficou preso 12 dias pelo regime. Pouco antes, já havia criado uma comissão para reformar a Constituição do país.

Os manifestantes, que realizam protestos desde 25 de janeiro, exigem a saída imediata de Mubarak. Pelo menos 297 pessoas morreram em meio aos confrontos ocorridos durante a revolta popular, informou a organização humanitária Human Rights Watch (HRW).

Segundo a rede britânica BBC, a mobilização desta terça foi a maior desde o início do movimento popular no Egito, superando a “marcha dos milhões”, realizada há uma semana, e o “dia da partida”, na última sexta-feira. O protesto mostra que os manifestantes consideram as medidas do governo insuficientes e que eles só vão desocupar a praça Tahrir após a renúncia de Mubarak.

Libertação - A libertação de Ghonim impulsionou os protestos populares desta terça-feira. Na noite passada, ele concedeu uma emocionante entrevista a um canal via satélite egípcio no qual detalhou como foi sua prisão. "Não abandonaremos nossa causa, que é a queda do regime", disse ele antes de ser saudado pela multidão.

Na entrevista, Ghonim afirmou que a revolução pertence à juventude da internet e que os manifestantes não são traidores. "Estamos todos ali por manifestações pacíficas. Não quero ser herói. Os verdadeiros heróis estão nas ruas", disse, após chorar pelos mortos nas manifestações.

No Facebook, mais de 130.000 pessoas se afiliaram a uma página que concede a Ghonim o cargo de porta-voz da insurreição. "As lágrimas dele mobilizaram milhões e mudaram a visão de quem apoiava o regime", disse o site Masrawy, ligado à oposição.

Concessões - Em meio à onda de manifestações, o governo anunciou a libertação dos 34 presos políticos. "O ministro do Interior Mahmoud Wagdy emitiu uma ordem de libertação de 34 detentos políticos, considerados extremistas, depois de reavaliar as posições deles", informou a agência de notícias Mena.

Na década de 1990, o Egito combateu grupos militantes islâmicos que queriam substituir a República secular de Mubarak por um Estado islâmico. Muitos militantes continuam na prisão desde a época do predecessor de Mubarak, Anwar Sadat, que foi assassinado em 1981 por soldados ligados a grupos radicais.

Apesar do temor de que extremistas tomem o poder após uma eventual queda de Mubarak, a medida é uma maneira de mostrar ao povo que o governo está fazendo concessões. Mais cedo, anunciou a criação de uma comissão para reformar a Constituição do país. Segundo o vice-presidente, Omar Suleiman, um decreto foi assinado permitindo a formação do grupo "que vai revisar emendas constitucionais e as emendas legislativas solicitadas”.

No mesmo pronunciamento, ele salientou que o Egito tem um plano e um cronograma para a transferência pacífica de poder e que o governo não perseguirá os manifestantes - que seguem acampados na Praça Tahrir, no centro do Cairo, pelo 15º dia consecutivo.

Dados divulgados nesta terça-feira pela HRW informam que ao menos 297 pessoas morreram nas revoltas populares do Egito desde o dia 28 de janeiro. De acordo com Heba Morayef, pesquisadora da entidade, 232 pessoas perderam a vida no Cairo, 52 na cidade de Alexandria e 13 em Suez, no leste do país. Morayef alertou sobre a violência da polícia durante as últimas duas semanas contra os manifestantes.

Em declarações à CNN , a diretora-executiva da HRW, Sarah Leah Whitson, revelou que os números ainda eram preliminares e usavam como base informações obtidas em fontes como hospitais e necrotérios. 

(Com agências Reuters, France-Presse e Estado)

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