Internacional
Diplomacia
Economia está no centro da agenda de Dilma em Cuba
Presidente deve assinar acordos comerciais com o governo de Raúl Castro
A presidente Dilma, durante reunião no Palácio do Planalto (Roberto Stuckert Filho/PR)
A presidente Dilma Rousseff desembarcou na noite desta segunda-feira em Havana com temas comerciais no centro de sua agenda. A chefe de estado brasileira chegou na capital cubana às 20 horas (17 horas em Cuba), foi recebida pelo chanceler Bruno Rodríguez e não fez declarações à imprensa. Ela só tem compromissos oficiais nesta terça-feira, a começar por uma reunião e um almoço com o presidente cubano, Raúl Castro.
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A principal atividade do dia, porém, será uma visita ao Porto de Mariel, que está sendo ampliado com investimento de empresários e do governo brasileiros, que financiam 80% das obras avaliadas em 683 milhões de dólares (1,186 bilhão de reais). A ampliação do porto, localizado a 50 quilômetros de Havana, é considerada estratégica pelas autoridades cubanas, que veem em Mariel uma base para aumentar o intercâmbio comercial de Cuba. O governo cubano planeja transformar a região em um polo industrial. Um dos projetos é a construção na área de uma indústria de vidros – uma multinacional brasileira. O assunto foi discutido em meados deste mês com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, que esteve em Havana para preparar a visita de Dilma.
Durante sua visita a Cuba, a presidente irá concentrar as conversas bilaterais no apoio do governo brasileiro à ampliação de parcerias comerciais e acordos com os cubanos. As relações econômicas com o Brasil se intensificaram nos últimos anos, e o país se transformou em um dos principais parceiros de Cuba no terreno do comércio e do investimento. Entre 2006 e 2010, as trocas comerciais entre Brasília e Havana registraram um crescimento de 30%, passando de 376 milhões de dólares para 488 milhões, segundo dados oficiais. Entre janeiro e novembro de 2011, o fluxo comercial bilateral seguiu com um ritmo ascendente e chegou a 570 milhões de dólares.
O aumento do comércio com outras nações é resultado da política econômica de Raúl Castro, que tem apelado para que se aprofundem os debates sobre as mudanças na economia interna e defende o que chama de "mudança de mentalidade". Desde 2010, o dirigente cubano instaurou um processo de abertura da economia do país. As medidas envolvem o estímulo à diminuição dos funcionários públicos por meio de programas de demissão voluntária, a liberação de compra de automóveis e imóveis, a permissão para negócios autônomos e o incentivo à agricultura familiar. Essas mudanças foram a alternativa encontrada pelo governo cubano para tentar driblar as dificuldades causadas pelo embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1962.
Direitos humanos – Dilma visita a ilha caribenha poucos dias após o Brasil ter concedido um visto à dissidente cubana Yoani Sánchez, que desde 2004 tenta viajar ao exterior mas não consegue autorização do governo. Sánchez enviou a Dilma uma carta na qual lhe pediu que intercedesse por ela perante o governo de Raúl Castro para conseguir a permissão de saída da ilha para comparecer, no próximo dia 10, em Jequié, na Bahia, à estreia do documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta brasileiro Dado Galvão, sobre a repressão à liberdade de expressão na ilha caribenha.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, negou que o tema será abordado publicamente por Dilma nas reuniões com o governo cubano. No último sábado, em Davos, na Suíça, o chanceler disse ainda que os direitos humanos "não são uma situação emergencial" em Cuba, mas afirmou que a questão é constantemente abordada nas conversas entre as autoridades brasileiras e cubanas e elogiou a abertura do diálogo político no país, entre governo e Igreja Católica.
Yoani Sánchez também solicitou uma audiência com Dilma, mas não obteve resposta do Ministério das Relações Exteriores. Um outro encontro, porém, é bastante provável, apesar de não ter sido confirmado ainda pelo Itamaraty: o de Dilma e Fidel Castro, de 85 anos, ex-ditador de Cuba que governou o país até 2008. A agenda da presidente inclui uma homenagem, nesta terça-feira, ao político e escritor cubano José Martí, considerado herói nos países que foram colônias espanholas por ter liderado os processos de independência.
Atualizado às 21h32
(Com agência EFE)






Comentários
Hugo Zani
Vejo essa noticia por dois pontos : - Necessidade do investimento ? O que o Brasil espera ganhar com tal investimento ??? - Investir fora, e deixar de investir no Brasil - Realmnete, está difícil a situação de alguns lugares no Brasil, essa é a realidade, enquanto poderiam investir 1 BILHÃO para o bem da população
31.01.2012
marco antonio
O Brasil, investindo 1 bilhão de reais no porto de uma ilha falida e faltando investimento nos nossos portos.
30.01.2012