13/03/2009 - 21:26
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EUA

Direita acusa Obama de implantar o socialismo

Eminências da direita mais empedernida da política americana deram para denunciar que as medidas tomadas por Obama para combater a crise estão colocando os Estados Unidos na rota do socialismo. O senador republicano Jim DeMint, da Carolina do Sul, diz que Obama é "o melhor propagandista do socialismo". O ex-quase-presidenciável Mike Huckabee, que perdeu a disputa pela candidatura para o senador John McCain, disse que Obama está criando "repúblicas socialistas" no país, e completou: "Lênin e Stálin iam amar isso aqui".

O assunto virou capa de revista e está nos parachoques dos carros na forma de adesivos que saúdam o presidente como "camarada Obama" e o país como "União dos Estados Socialistas da América". Os trombeteiros do "socialismo americano" começaram a se agitar porque, para domar a crise, o governo americano está drenando oceanos de dinheiro público na economia, despertando o perigo do gigantismo estatal.

A uma única seguradora, a AIG, já deu 180 bilhões de dólares. Só para os dois maiores bancos, Bank of America e Citigroup, entregou 100 bilhões. Às duas maiores indústrias automobilísticas, GM e Chrysler, foram 17 bilhões e talvez despache mais 22 bilhões. O mais pedestre raciocínio ideológico concluiu que, se a Casa Branca está se metendo em diversos setores da economia, o socialismo chegou à América. Ou, se ainda não chegou, está a caminho.

A coisa piorou quando Obama entregou ao Congresso sua proposta de Orçamento para o ano fiscal de 2010. Com 10 000 páginas e 3,6 trilhões de dólares, a proposta é ousada e promete uma guinada radical em boa parte das políticas públicas que os Estados Unidos vêm adotando nos últimos trinta anos. Obama propõe universalizar o sistema de saúde, incorporando os 40 milhões de americanos que hoje não têm qualquer tipo de assistência.

Mas a intervenção do governo americano - seja despejando dinheiro na economia, ampliando a rede de proteção social aos mais humildes ou estatizando bancos - não resultará em nada que se pareça com socialismo. Socialismo não taxa os ricos - elimina-os, fisicamente inclusive. Socialismo não indeniza empresários ao nacionalizar seus bens, expropria-os. Socialismo também não estatiza um pedaço da economia - estatiza tudo, a começar pelo sistema financeiro, como fez Lênin (1870-1924) assim que sua revolução bolchevique tornou-se vitoriosa na Rússia, em 1917. Ninguém, além dos corneteiros da provocação ideológica, acha que isso esteja sendo discutido nos Estados Unidos.

Leia a reportagem completa em VEJA desta semana (na íntegra exclusivo para assinantes).

 

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