Diplomacia

Dilma pede ao Itamaraty que acione o governo russo por libertação de ativista presa

Ana Paula Maciel foi detida após participar de um protesto do Greenpeace. Ela escreveu sobre a situação em duas cartas à família

  • Fotografia feita no dia 19 de setembro registra helicóptero russo sobrevoando a embarcação onde um grupo de ativistas do Greenpeace foi detido enquanto protestava contra a exploração de Petróleo no Ártico

    EFE/Greenpeace

  • Foto divulgada pelo Greenpeace mostra agentes de segurança rusos no deque da embarcação usada pelos ativistas durante um protesto contra a exploração de petróleo no Ártico. Trinta ativistas foram presos

    EFE/Greenpeace

  • Foto divulgada pelo Greenpeace mostra agentes de segurança rusos no deque da embarcação usada pelos ativistas durante um protesto contra a exploração de petróleo no Ártico. Trinta ativistas foram presos

    AFP/Greenpeace

  • Bombeiro se aproxima de um ativista do Greenpeace pendurado no segundo andar da Torre Eiffel, que protestava contra as 30 pessoas detidas na Rússia, em Paris

    Christian Hartmann/Reuters

  • Navio do Greenpeace é visto ancorado na cidade portuária de Murmansk, na Rússia

    Stringer/Reuters

  • A bióloga brasileira Ana Paula Maciel foi presa durante um protesto do Greenpeace na Rússia

    Igor Podgorny/Greenpeace/Handout via Reuters/Reuters

  • Em Brasília, ativistas do Greenpeace seguram imagem da brasileira Ana Paula Maciel, presa durante protesto na Rússia

    Ueslei Marcelino/Reuters

  • Ativistas do Greenpeace presos na Rússia fazem sinal de positivo dentro de ônibus

    Greenpeace/Handout via Reuters/Reuters

  • Protesto em frente à embaixada russa em Kiev, na Ucrânia, pede a libertação de ativista do Greenpeace

    Gleb Garanich/Reuters

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A presidente Dilma Roussef usou a sua página no Twitter para informar quais procedimentos serão adotados pelo governo no caso da bióloga brasileira Ana Paula Maciel, presa na Rússia por participar de um protesto ambiental do Greenpeace. Dilma afirmou que o Itamaraty tem a ordem de dar “toda assistência” à ativista durante o período em que ela estiver na penitenciária da cidade portuária de Murmansk, no noroeste do país. Além disso, a presidente pediu ao chanceler Luiz Alberto Figueiredo para fazer um contato de alto nível com o governo russo, a fim de discutir a libertação de Ana Paula.

Em duas cartas enviadas à família nos dias 27 de setembro e 2 de outubro, a bióloga disse que tem procurado se distrair na prisão, mas reconheceu que dificilmente conseguirá se livrar da acusação de pirataria que a Justiça russa moveu contra ela e os outros 29 ativistas que participaram do protesto. O material obtido pelo jornal Zero Hora mostra Ana Paula bem-humorada, tentando tranquilizar a mãe Rosângela e as irmãs Telma e Alessandra. Como a correspondência original ficou retida na Rússia, os familiares só obtiveram uma versão digitalizada do material.

Leia também: Greenpeace divulga fotos da prisão de ativistas na Rússia

Na primeira carta, Ana Paula afirma que os ativistas estão procurando fazer piadas sobre a situação. “Na pior das hipóteses, nos vemos em 2030”, brincou a bióloga, ao comentar a possibilidade de ser condenada à pena máxima de quinze anos de prisão por pirataria. Já na segunda correspondência, a brasileira diz que os funcionários da penitenciária são “gentis”, e reconhecem que os ativistas “não são criminosos”. Ana Paula diz que está sozinha em uma cela e passa o tempo assistindo a um canal russo de música. Ela tem uma hora para “caminhar” em “uma caixa cinza de 5x5 metros”, onde o “ar é fresco e dá para esticar as pernas”.

Na quarta-feira, o Comitê Investigativo da Rússia disse que drogas foram apreendidas dentro da embarcação utilizada pelos ativistas. Segundo a rede BBC, as autoridades consideraram ilícita a posse de morfina e bulbos de ópio. O Greenpeace, por sua vez, alegou que as acusações eram “fabricadas” e que a posse das drogas está prevista nas leis marítimas. O chefe da organização, Kumi Naidoo, também enviou uma carta ao presidente russo Vladimir Putin para se oferecer como uma garantia pela liberação dos detidos, após o pagamento de uma fiança a ser estipulada. “Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance e é por isso que esse gesto nos dá a esperança de que eles terão direito a uma fiança”, disse o ativista à BBC.

Os ativistas foram presos em 19 de setembro, quando realizavam um protesto na plataforma da empresa estatal Gazprom, responsável pela exploração de petróleo no Ártico. Frente à repercussão do caso, a Holanda pediu na quarta-feira a soltura imediata dos ativistas, assim como a liberação do navio de bandeira holandesa usado pelo Greenpeace.

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