15/01/2010 - 09:00
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Terremoto no Caribe (vídeo)

Cônsul do Haiti pede desculpas por dizer que desgraça era 'boa' - e culpa o português

O cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, pediu desculpas nesta sexta-feira por ter atribuído o terremoto de terça-feira à "macumba" e afirmado que a tragédia "está sendo uma boa" para os haitianos.

Em entrevista coletiva na sede do consulado, o cônsul alegou ter dificuldades com o português. "Meu português não é bom. Jamais desejaria mal ao meu país. Não estou falando que estou perfeito e nem estou acostumado com tantas pessoas me acompanhando", afirmou ele, referindo-se aos jornalistas.

"Falo diversos idiomas, mas não estudei português, erro às vezes", disse o cônsul.

O consulado também divulgou nota com um pedido de desculpas (leia abaixo).

As declarações desastradas foram exibidas na noite de quinta-feira em uma reportagem do telejornal SBT Brasil (veja o vídeo abaixo). O diplomata não sabia que estava sendo filmado.

"A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido", disse Antoine para um funcionário da representação diplomática que estava a seu lado. "Acho que, de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f...", completou.

Segundo a reportagem, o cônsul possui mais de 100 parentes no Haiti e ainda não tem notícias deles. Após as frases infelizes, já durante a entrevista, Antoine segura um terço nas mãos. "Esse terço nós usamos porque dá energia positiva, acalma as pessoas. Como eu estou muito tenso, deprimido com o negócio do Haiti, a gente fica mexendo com vários para se acalmar". 

Video

 

Leia a a íntegra da nota divulgada pelo consulado-geral do Haiti em São Paulo:

"Diante do trágico acontecimento que atingiu o Haiti e que abalou o mundo, o senhor cônsul George Samuel Antoine, no calor dos fatos e, principalmente por possuir centenas de parentes naquele país, sobre os quais tem poucas informações, sabendo que estão desaparecidos, provavelmente mortos, em comentário teve seus dizeres interpretados de maneira deturpada.

"Lamentamos profundamente o fato ocorrido apresentado pelo SBT em 14 de janeiro, sendo que a divulgação de pequena parte da conversa levou a uma interpretação equivocada que ora se esclarece. Vez que a frase expressada pelo senhor cônsul do Haiti em São Paulo, fazia parte do contexto de uma conversa quem mantinha com um cidadão, que aparece na entrevista, o qual não é repórter e sim presidente do Conselho do Instituto Americano de Pesquisa, Medicina e Saúde Pública. Trata-se do sr. Dr. Roberto Marton. E estava naquele momento disponibilizando uma ajuda humanitária, organizando recrutamento de voluntários profissionais da saúde. O Dr. Roberto esteve naquele país meses atrás, com o próprio cônsul, assinando um protocolo de cooperação técnica na área da saúde da mulher.

"A dificuldade do Sr. cônsul na utilização da língua portuguesa, levou-o a um erro de expressão. Na verdade, a intenção foi enfatizar que o trágico acontecimento no Haiti fez com que o mundo todo voltasse os olhos para os problemas do seu povo. Inclusive aqui no Brasil, possibilitando assim, maior ajuda humanitária para a reconstrução do país. Nunca, teve a intenção de promoção pessoal, e sim, a intenção de difundir as dificuldades enfrentadas pela sua gente, que grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza, sempre em busca de maior ajuda mundial.

"O Sr. cônsul, nasceu em Porto Príncipe, possui familiares de origem africana, seu bisavô Philippe Guerrier, da raça negra, foi presidente do Haiti (1844/45); sendo que o Sr. Antoine veio para o Brasil, e em 1975, foi nomeado cônsul.

"Esclarece, que em nenhuma oportunidade tomou atitude racista, tendo se expressado, tão somente, que os povos de origem africana são sofredores em várias regiões do mundo. O cônsul jamais criticou a religião africana, mantendo grande respeito por todos os tipos de crenças pela própria característica do seu país.

"O cônsul-geral do Haiti em São Paulo pede desculpas a quem de alguma maneira tenha se sentido ofendido.

Consulado Geral Ad.H. do Haiti em São Paulo"

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