29/06/2009 - 19:40
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Honduras

Presidente deposto anuncia que voltará ao país quinta-feira

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse na noite desta segunda-feira que voltará ao país na quinta-feira, depois de participar de uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington.

Zelaya, que na madrugada de domingo foi expulso do país e levado à Costa Rica por soldados hondurenhos, estava reunido em Manágua com vários presidentes latino-americanos, os quais lhe deram apoio e repudiaram o golpe de Estado.

"Vou para Tegucigalpa na próxima quinta-feira, vindo de Washington. Chega o presidente eleito pelo povo", disse Zelaya em discurso feito perante os demais presidentes.

Choques - Militares responsáveis pela vigilância da Casa Presidencial de Honduras enfrentaram nesta segunda-feira manifestantes que pediam o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, informou um fotógrafo da agência France-Presse. "Há distúrbios, a polícia está reprimindo... Houve disparos e temos vários feridos", disse o fotógrafo.

Imagens de uma rede internacional de TV mostraram manifestantes lançando pedras contra a polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogêneo.

Desde domingo, quando Zelaya foi deposto pelos militares, estações de rádio e TV que se opõem ao golpe foram fechadas. A medida provocou condenação de entidades internacionais de defesa da liberdade de imprensa.

Honduras em números

E uma comparação com dados do Brasil

 

 

 
Honduras
LocalizaçãoAmérica Central
Área (km²)112.088 km² (pouco maior do que o estado de Pernambuco)
População7.246.016 habitantes (pouco maior do que a da cidade do Rio de Janeiro)
PIB (2007)US$ 12,322 bilhões (o do Brasil é de US$ 1,314 trilhão)
Renda per capitaUS$ 1.734 (a brasileira é de US$ 6.852)
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)0,714 ou 117º lugar do ranking (o Brasil ocupa a 70ª posição)
Fontes: IBGE, PNUD (Programa para o Desenvolvimento das Organização das Nações Unidas) e Banco Mundial.
 

Soldados invadiram uma popular estação de rádio e fecharam as redes internacionais de TV CNN em Espanhol e Telesur, emissora venezuelana que tem o patrocínio de governos esquerdistas da América Latina.

Um canal pró-governo também foi fechado. As poucas emissoras de rádio e TV operando colocaram no ar nesta segunda-feira música, novelas e programas de culinária.

Elas quase não se referiram a manifestações ou condenações internacionais ao golpe, apesar de centenas de pessoas protestarem em frente do palácio presidencial, na capital, para exigir o retorno de Zelaya e o fim do blecaute imposto à mídia.

"Este governo espúrio está violando nosso direito à informação ao bloquear os sinais de canais como a CNN", disse um dos líderes dos protestos, Juan Varaona, diante de uma barricada. Pneus em chamas lançavam grossas nuvens de fumaça no céu da cidade.

Outros manifestantes xingavam os dois principais jornais hondurenhos e diziam que eles ainda continuam com suas edições online somente porque apoiaram o golpe.

"El Heraldo e El Tribuno são dois jornais que fazem parte do esquema golpista, como também alguns canais de TV controlados pela oposição ao governo", disse Erin Matute, de 27 anos, funcionário do setor estatal de saúde. "Esta manhã somente eles tinham sinal. Os outros estavam fechados", afirmou Matute, que estava numa barricada em uma rua da capital.

Alguns manifestantes queimaram e esmagaram os estandes onde são colocados esses jornais e os usaram na montagem das barricadas para bloquear as ruas ao redor do palácio presidencial.

A entidade Repórteres Sem Fronteiras, ONG com sede em Paris, atuante na defesa da liberdade de imprensa, condenou o cerceamento à mídia.

"A suspensão ou fechamento de órgãos de mídia local ou internacional indica que os líderes do golpe querem esconder o que está acontecendo", afirmou o grupo em um comunicado. "A Organização dos Estados Americanos e a comunidade internacional têm de insistir que seja levantado o blecaute de notícias", diz o texto.

O golpe militar - desencadeado por uma disputa sobre a iniciativa de Zelaya de tentar aprovar a reeleição presidencial no país - é a maior crise política na América Central nos últimos anos.

Zelaya foi deposto pelos militares no domingo, após ignorar a decisão do Congresso e da Justiça contra um plebiscito sobre a reforma da Constituição.

A presidência foi assumida por Roberto Micheletti, titular do Congresso, encarregado de concluir o mandato presidencial, até janeiro de 2010.

(Com agências France-Presse e Reuters)

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