Eleições americanas
Começa corrida eleitoral republicana, com Romney à frente
Primárias do estado de Iowa, nesta terça-feira, começam a definir os melhores nomes para enfrentar Obama e - o mais importante - quem já pode sair de cena
Mitt Romney desponta como o único candidato republicano capaz de derrotar Obama nas eleições presidenciais (Brian Snyder / Reuters)
“Nos Estados Unidos, fala-se em votar com o coração ou com a cabeça. Votar com o coração é fazer aquilo que o deixa feliz, enquanto votar com a cabeça é fazer o que é mais inteligente. E nem sempre uma coisa coincide com a outra. Mas o que assistiremos nos próximos meses serão pessoas votando com a cabeça.”
Cary Covington, especialista em eleições americanas da Universidade de Iowa
Os republicanos de Iowa realizam nesta terça-feira o primeiro caucus (termo que define o processo de eleições primárias no estado) para começar a decidir o nome do candidato que vai enfrentar Barack Obama nas eleições presidenciais de novembro. Conforme apontam as pesquisas mais recentes, Mitt Romney sai na frente e deve vencer o embate. Analistas também o apontam como favorito, não por ser o mais preparado e muito menos pelo carisma, mas sim por eliminação - nenhum dos outros nove pré-candidatos é forte o suficiente. “A minha melhor aposta é que Romney irá ganhar, apesar de ser uma disputa acirrada com Ron Paul e Rick Santorum logo atrás”, disse ao site de VEJA Timothy Hagle, professor de Ciências Políticas da Universidade de Iowa. “Para muitos republicanos de Iowa, há uma forte preocupação em escolher o candidato que tem a melhor chance de derrotar Obama, e Romney está muito bem nesse sentido”, completa.
Infográfico: Os republicanos que querem o lugar de Barack Obama
A preferência pelo ex-governador de Massachusetts (2003-2007) é óbvia, se os eleitores fizerem uma opção racional (Romney) em vez de emocional (Paul), explica o especialista em eleições americanas da Universidade de Iowa, Cary Covington. “Nos Estados Unidos, fala-se em votar com o coração ou com a cabeça. Votar com o coração é fazer aquilo que o deixa feliz, enquanto votar com a cabeça é fazer o que é mais inteligente. E nem sempre uma coisa coincide com a outra. Mas o que assistiremos nos próximos meses serão pessoas votando com a cabeça”, analisa Covington. Isso porque Romney é o último candidato ainda em pé, com uma aprovação nacional que varia entre 20% e 25% e considerado moderado o suficiente para competir de igual para igual com o democrata Obama.
Ex-empresário, Romney passou a maior parte de sua vida dedicando-se ao setor privado. Foi candidato às primárias republicanas em 2008, quando perdeu para John McCain ao enfrentar o ceticismo dos americanos frente a algumas de suas convicções. O que pesa contra ele é o fato de já ter defendido temas demonizados pelos republicanos, como aborto, casamento gay e o sistema de saúde executado pelo atual presidente - e que teria sido inspirado no modelo de Romney quando era governador. Nos últimos anos, o pré-candidato tentou passar uma imagem cada vez mais conservadora, mas não parece ter convencido a todos. “O que muitos republicanos desaprovam em Romney é o fato de ele não ser suficientemente conservador”, enfatiza Covington.
Falta de opção - Contudo, não é apenas o ex-governador que ainda precisa lutar para conquistar a confiança dos eleitores - esse feito não foi obtido por nenhum dos outros pré-candidatos, nem os que concorrem de perto com ele. Ron Paul, apesar de ser conhecido como o “padrinho intelectual do Tea Party”, defende medidas tão ou mais impopulares do que as antigas ideias de Romney entre os membros mais conservadores do partido, como a legalização da maconha. E Santorum, que estava praticamente esquecido até poucos dias, foi alçado nas pesquisas eleitorais como consequência da derrocada de outros conservadores, como Michele Bachmann, Newt Gingrich e Rick Perry.
Há, também, um motivo histórico para explicar a liderança de Romney: jamais um membro da Câmara dos Deputados conseguiu ser eleito presidente. E os únicos que escapam desse perfil são Mitt Romney e Rick Perry. Mas este último, que começou deslanchando em todas as pesquisas, cavou a própria cova eleitoral com uma série de gafes capazes de provocar vergonha alheia até no maior cara de pau. Relembre na lista:
As maiores gafes dos pré-candidatos republicanos
Rick Perry
Em novembro, Rick Perry foi protagonista de uma das gafes mais comentadas em debates republicanos. O governador do Texas, que já vinha despencando nas pesquisas, começou a citar os três ministérios que pretendia fechar caso fosse eleito: "Educação, Comércio e...". Ele ainda tentou disfarçar o "branco" mudando de assunto, mas quando o mediador insistiu para que prosseguisse, Perry admitiu que não se lembrava, soltando um "Ooops" no final.
Embora essa gafe parecesse insuperável, Perry conseguiu ir ainda mais longe. Falando a um grupo de jovens eleitores em New Hampshire, o pré-candidato disse esperar que todos tivessem 21 anos no dia 12 de novembro de 2012 para que pudessem votar. Ele se esqueceu "apenas" que nos Estados Unidos a idade mínima para votar é 18 anos e que o pleito deste ano está marcado para 6 de novembro.
Iowa - É claro que existe a possibilidade de Romney sair atrás de Paul e Santorum no caucus de Iowa, que não é o maior nem o mais importante estado americano nas eleições, mas por ser o primeiro serve de termômetro para todo o processo. Paul tem um eleitorado mais fiel e entusiasta do que Romney, e Santorum, mais conservador, tem boas chances de conquistar esse eleitorado rural e altamente religioso. Mesmo que isso aconteça, tudo indica que o ex-empresário deve recuperar a liderança nas primárias seguintes - serão mais de 50 até agosto, quando a convenção do partido escolhe oficialmente seu candidato.
E vale lembrar que, nessa primeira etapa da corrida eleitoral à Casa Branca, tão importante quanto ficar de olho nos primeiros colocados é prestar atenção à outra ponta da tabela: quem ficar entre os últimos colocados certamente sairá da disputa em poucas semanas - são as regras do jogo. Está dada a largada.
Leia na coluna De Nova York, por Caio Blinder:
"São os rituais da campanha presidencial americana. Precisamos falar de Rick Santorum. Hoje e talvez nunca mais. O ex-senador pelo estado de Pensilvânia é o sabor do dia (ao lado do bem amargo Ron Paul). Ele interessa mais pelo ângulo da horse race (a corrida dos cavalinhos)."



Comentários
Renanf
Go go Ron Paul!!!
03.01.2012
Nixson Nagaura
E bom os americanos terem cuidado para nao colocar no poder outro maluco como o Bush!
03.01.2012