Com renúncia de Bento XVI, cardeais brasileiros entram na bolsa de apostas
O brasileiro Dom Odilo Scherer, arcebispo da diocese de São Paulo, é um dos nomes mais fortes. Ele já era cotado mesmo antes do conclave que escolheu o atual papa
Saída de Bento XVI pode abrir espaço para a indicação de papa latino-americano
(Patrick Hertzog/AFP)
Após a renúncia de Bento XVI, o novo papa deverá ser anunciado pelo conclave em março - e a "bolsa de apostas" para o mais alto posto da Igreja Católica já começou. A saída inédita de Bento XVI - nunca um papa abdicou por razões de incapacidade física - abre espaço para outros ineditismos no Vaticano. Um deles pode ser a eleição de um papa latino-americano - ou até mesmo brasileiro.
Segundo o Vaticano, há um total de 119 cardeais aptos a votar no conclave - sendo cinco brasileiros. O Brasil tem um total de nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite para votar, que é de 80 anos.
Na América Latina estão 42% dos 1,2 bilhão de católicos do mundo - o maior bloco da Igreja. Na Europa, estão 25% dos fiéis. Segundo a reportagem da Reuters, citando a imprensa internacional, duas autoridades do Vaticano comentaram recentemente sobre a possibilidade de um novo papa não ser europeu. "Sei de muitos bispos e cardeais da América Latina que poderiam se responsabilizar pela Igreja universal", disse o arcebispo Gerhard Mueller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, mesma função que o papa Bento XVI exercia quando foi nomeado papa. "A Igreja ensina que o cristianismo não está centrado na Europa", afirmou o arcebispo ao jornal alemão Duesseldorf's Rheinische Post pouco antes do Natal.
O cardeal suíço Kurt Koch, chefe do departamento de Unidade Cristã, disse ao jornal Tagesanzeiger, em Zurique, que seria bom haver candidatos da América Latina e da África no próximo conclave. Koch chegou a dizer, na entrevista, que tinha a intenção de votar por um candidato que não fosse europeu.
Saiba quem são os possíveis sucessores de Bento XVI
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Cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão
Scola é italiano, tem 71 anos e foi nomeado arcebispo de Milão em 2011, pelo papa Bento XVI. Formado em filosofia e teologia, Scola chegou a ser considerado um possível substituto de João Paulo II no conclave de 2005, que acabou elegendo o alemão Joseph Ratzinger - o papa Bento XVI. Foi nomeado cardeal em 2003 por João Paulo II e continua sendo apontado pela imprensa italiana com um dos favoritos a assumir o posto de Sumo Pontífice. Além disso, sua formação teológica está alinhada com a dos demais cardeais europeus - o que lhe renderia ainda mais apoio no período do conclave.
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Cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão
Scola é italiano, tem 71 anos e foi nomeado arcebispo de Milão em 2011, pelo papa Bento XVI. Formado em filosofia e teologia, Scola chegou a ser considerado um possível substituto de João Paulo II no conclave de 2005, que acabou elegendo o alemão Joseph Ratzinger - o papa Bento XVI. Foi nomeado cardeal em 2003 por João Paulo II e continua sendo apontado pela imprensa italiana com um dos favoritos a assumir o posto de Sumo Pontífice. Além disso, sua formação teológica está alinhada com a dos demais cardeais europeus - o que lhe renderia ainda mais apoio no período do conclave.
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Cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo de Genova
O italiano de 70 anos de idade é doutor em filosofia pela Universidade de Genova. Em 2007, foi nomeado presidente da Conferência Episcopal Italiana, a assembleia oficial dos bispos da Itália, cargo que ainda ocupa. Apesar de sua habilidade para lidar com questões políticas, lhe falta experiência fora da Itália.
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Cardeal Gianfranco Ravasi, ministro da Cultura do Vaticano
O cardeal italiano Gianfranco Ravasi, de 70 anos, tornou-se uma personalidade no Vaticano quando o papa Bento o indicou para o posto de ministro da Cultura do pontificado. Renomado pesquisador, Ravasi é conhecido por ter movido esforços para tentar restaurar a hegemonia da Igreja Católica no cenário cultural global. Ele passou a maior parte de sua vida como professor em Milão, sua cidade natal. De posição teológica moderada, o cardeal é visto como um típico intelectual europeu, mas que não possui vivência global suficiente para ocupar o mais alto posto do Vaticano, segundo especialistas ouvidos pela revista católica The Tablet.
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Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo
O cardeal brasileiro Odilo Scherer, de 63 anos, figura entre os favoritos para o posto desde a morte de João Paulo II. Além de ser a autoridade católica mais influente no Brasil, o cardeal possui estreita afinidade com a visão teológica defendida pelo Vaticano, fala vários idiomas e é membro de seletas comissões que cuidam dos cofres da Santa Sé. Em maio, quando o executivo Ettore Gotti Tedeschi, presidente do Banco do Vaticano, foi demitido por suspeita de lavagem de dinheiro, Scherer viajou três vezes para Roma para acompanhar o processo de afastamento.
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Cardeal João Braz de Aviz, arcebispo-emérito de Brasília
O brasileiro João Braz de Aviz tem 65 anos e foi nomeado cardeal no ano passado pelo papa Bento XVI. Defensor da Teologia da Libertação - corrente católica que busca a defesa de minorias oprimidas - Dom João é visto como fonte de novos ares no Vaticano. Seu trabalho pastoral e como arcebispo lhe rendeu elogios e alguma influência no Vaticano. Atualmente, é prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. O cardeal estava presente na manhã desta segunda-feira, no Vaticano, na cerimônia de renúncia do papa Bento.
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Cardeal Christoph Schoenborn, arcebispo de Viena
Aos 67 anos, o cardeal nascido na República Tcheca é arcebispo de Viena desde 1995. Ele foi um grande crítico da forma como a Igreja Católica conduziu a crise da pedofilia de seus padres - atitude que lhe rendeu a simpatia de fiéis e da opinião pública. Recentemente, posicionou-se contra sua própria diocese ao readmitir um homem homossexual ao conselho paroquial, depois que o padre responsável o havia expulsado. Schenborn assumiu a diocese de Viena depois que seu antecessor, Hans Groer, foi expulso acusado de abusar sexualmente de garotos.
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Cardeal Peter Turkson, presidente do Conselho Pontifício de Justiça e Paz
Aos 64 anos, Turkson é considerado "a estrela" do Colégio dos Cardeais. Sua grande habilidade de comunicação tornou-o influente em inúmeras comissões da Santa Sé. Mas, acima de tudo, Turkson é um dos maiores símbolos do poder global da Igreja Católica. Foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II em 2003, tornando-se o primeiro cardeal ganês da história de seu país. Turkson é ainda o porta-voz do Vaticano para as questões sociais e sua nomeação representaria um momento histórico de renovação da Igreja Católica - com um papa, pela primeira vez, não-europeu e africano.
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Cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais no Vaticano
O argentino Leonardo Sandri tem 69 anos, é filho de pais italianos e nascido em Buenos Aires. Entre 2000 e 2007, ocupou um dos principais cargos da Secretaria de Estado do Vaticano. O cardeal desempenhou um papel importante durante os últimos anos de vida do papa João Paulo II. Durante o declínio da saúde do Sumo Pontífice, cabia a Sandri ler os textos que o ele não conseguia pronunciar. Sandri também foi o cardeal que anunciou a morte de João Paulo ao mundo, na Praça de São Pedro, na noite de 2 de abril de 2005.
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Cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos na Santa Sé
O cardeal canadense Marc Ouellet é o arcebispo emérito de Québec e vem sendo considerado um dos nomes favoritos entre os não-europeus para assumir o papado. Sua linha teológica é muito parecida com a de Bento XVI e sua postura é vista como moderada dentro do Vaticano. Em junho de 2010, foi nomeado para chefiar a Congregação para os Bispos e a Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina no Vaticano. Em entrevistas, Ouellet já afirmou que a ideia de se tornar papa era "um pesadelo". Ainda assim, sua escolha não está descartada.
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Cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York
Apesar de menos provável, a indicação do cardeal americano Timothy Dolan, de 63 anos, não é impossível. Ele se tornou a voz do catolicismo nos Estados Unidos depois de ser designado arcebispo de Nova York, em 2009. Seu humor e dinamismo agradam o Vaticano, mas, ao mesmo tempo, causam temor de que ele adote uma postura de "papa superpoderoso". Muitos acreditam que ele possa ser "muito americano" para o posto de Sumo Pontífice.
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Cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila
Luis Antonio Tagle, das Filipinas, é o mais jovem candidato a assumir a Cátedra de Pedro. Aos 55 anos, ele é comparado ao papa João Paulo II por seu grande carisma. Segundo o jornal italiano La Stampa, Tagle é muito próximo do papa Bento XVI. Eles trabalharam juntos na Comissão de Teologia do Vaticano. Mas, apesar de sua popularidade, poucos acreditam que seja escolhido devido a sua pouca experiência como cardeal - ele foi nomeado apenas em 2012. Tagle leva uma vida simples, usa o transporte público e não tem atuação política relevante no Colégio de Cardeais. Mas, segundo consta, é o preferido de Bento XVI.
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Cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso
Aos 69 anos, Jean-Louis Tauran nasceu na região de Bordeaux, na França, e fez uma extensa carreira na nunciatura, tendo passado períodos na República Dominicana e no Líbano. Entre 1991 e 2003, chegou a ocupar um dos postos mais importantes no Vaticano: o de secretário para as relações da Santa Sé com os Estados, na Secretaria de Estado. Algo similar à função de ministro das Relações Exteriores. Tal posição lhe permitiu uma vivência próxima dos conflitos que ocorrem na África e no Oriente Médio.
Apostas - Entre os latino-americanos, o brasileiro Dom Odilo Scherer, arcebispo da diocese de São Paulo, é um dos nomes mais fortes - mesmo antes do conclave que escolheu Bento XVI. Dom Odilo está na idade ideal para o posto, segundo os padrões do Vaticano (63 anos), tem o domínio de diversos idiomas e afinidade com as linhas gerais consagradas por Bento XVI. Scherer é membro das mais seletas comissões do Vaticano - aquelas que cuidam dos cofres da Santa Sé. O catarinense Dom João Braz de Aviz, ex-arcebispo de Brasília, também aparece como forte candidato, segundo a Reuters. A agência cita que o arcebispo trouxe novos ares ao Vaticano quando assumiu o posto - e seu trabalho pastoral tornou-se notório entre os círculos do pontificado.
Além de Scherer e Aviz, os cardeais brasileiros que poderão votar no conclave são dom Cláudio Hummes, de 78 anos, ex-arcebispo de São Paulo e atual prefeito emérito da Congregação para o Clero, dom Geraldo Majella Agnelo, de 79, arcebispo emérito de Salvador, Dom Raymundo Damasceno Assis, de 76, arcebispo de Aparecida.
O arcebispo argentino Leonardo Sandri também é descrito como uma possibilidade, apesar de sua pouca influência no Vaticano ser apontada como um fator que dificultaria sua nomeação. Peter Turkson, de Gana, que coordena o departamento de Justiça e Paz do Vaticano, é constantemente citado como o favorito do continente africano.
Luis Tagle, das Filipinas, é comparado ao papa João Paulo II por seu grande carisma. Segundo o jornal italiano La Stampa, ele é muito próximo do papa Bento XVI. Eles trabalharam juntos na Comissão de Teologia do Vaticano. Mas, apesar de sua popularidade, poucos acreditam que seja escolhido devido a sua pouca experiência como cardeal - ele foi nomeado apenas em 2012.
Entre os candidatos europeus, o favorito, segundo o La Stampa, é o austríaco Christoph Schoenborn, de 67 anos - um ex-aluno de Bento XVI. Schoenborn é arcebispo de Viena e considerado um possível candidato a assumir o posto máximo na Igreja Católica desde a década de 1990.
Outros nomes possíveis, segundo o jornal, são Timothy Dolan, o americano que se tornou a voz do catolicismo nos Estados Unidos depois de ser designado arcebispo de Nova York, em 2009. Seu humor e dinamismo agradam o Vaticano, mas, ao mesmo tempo, causam temor de que ele adote uma postura de "papa superpoderoso", caso seja escolhido.
O canadense Marc Ouellet é o chefe da Congregação de Bispos e já afirmou, anteriormente, que se tornar papa seria "um pesadelo". Contudo, suas boas relações no Vaticano podem fazer de sua nomeação uma possibilidade.
O italiano Gianfranco Ravasi, de 70 anos, é o ministro da Cultura do Vaticano desde 2007 e representa a Igreja no mundo das artes e da cultura. Apesar de bem relacionado, sua pouca experiência pastoral o torna um dos nomes menos prováveis para suceder Bento XVI.