Mundo islâmico
Hillary: postura da Rússia causa risco de guerra civil síria
Governo russo vai vetar qualquer iniciativa de intervenção estrangeira no país
"Os russos me dizem que não querem uma guerra civil. Eu disse que a política deles contribuirá para uma guerra civil", afirmou Hillary (Saul Loeb/Reuters)
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, criticou a resistência da Rússia em aceitar ações da ONU para pressionar a Síria e advertiu que isso pode contribuir para uma guerra civil no país. A declaração de Hillary acontece um dia após a Rússia advertir que vai vetar qualquer iniciativa de intervenção militar estrangeira na Síria no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como já fez anteriormente.
Entenda o caso
- • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
- • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
- • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.
"Os russos me dizem que não querem uma guerra civil. Eu digo que a política deles contribuirá para uma guerra civil", afirmou Clinton em Copenhague.
Mais cedo, Dmitri Peskov, porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, disse que a posição do país é 'equilibrada' e não mudará, apesar das pressões de diversos países. "A posição da Rússia é bem conhecida. É equilibrada e constante", disse Peskov. "Por isso, não acreditamos que seja apropriado falar de uma mudança de posição ante a pressão", completou.
Libertações - Também nesta quinta-feira, o regime sírio pôs em liberdade 500 detidos que não foram acusados por 'crimes de sangue', informou a agência de notícias oficial síria Sana. A agência lembrou que no último dia 16 de maio as autoridades decretaram a libertação de 250 presos sem crimes de sangue, que se somaram aos 265 libertados no início deste mês. No último dia 21 de abril, outras 30 pessoas havia sido colocadas em liberdade.
Desde o início dos protestos em meados de março de 2011, as autoridades decretaram vários indultos. O último acontece após a visita do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, que na quarta-feira deixou o país depois de se reunir com o ditador Bashar Assad.
Durante sua visita de dois dias, Annan recomendou a Assad que tomasse 'medidas audazes agora e não amanhã' para aplicar seu plano de paz, enquanto o ditador condicionou seu cumprimento ao fim do 'terrorismo'. O plano de Annan de seis pontos estipula, entre outros, um cessar-fogo, a saída das tropas das cidades, a libertação dos presos políticos, a entrada de ajuda humanitária e o início de um diálogo entre as autoridades e a oposição.
(Com agência France-Presse)