Tarja para o tema Tsunami no Japão
 
02/10/2011 - 09:33
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Japão

Cidade ainda aguarda reconstrução 6 meses após tsunami

Regiões pesqueiras no nordeste do Japão se dizem abandonadas por Tóquio e enfrentam grandes dificuldades para superar a tragédia de 11 de março

The New York Times
Centro de Gerenciamento de Desastres, em Minamisanriku: símbolo da devastação

Centro de Gerenciamento de Desastres, em Minamisanriku: símbolo da devastação (Ko Sasaki/The New York Times)

Meses após o fatal terremoto e tsunami no Japão, a armação de aço do antigo Centro de Gerenciamento de Desastres parece uma lápide sobre o terreno de escombros cobertos de plantas. As pessoas vêm de longe e de perto para rezar diante da estrutura de três andares, transformando-a em um tipo de templo para os funcionários municipais que morreram aqui. Entre as flores brancas, incensos queimam em homenagem aos mortos - mas também há sinais de rancor. Uma carta escrita a mão, protegida da chuva por lâminas de vidro, critica o fato de a estrutura não ter sido destruída, julgando ser uma grande desconsideração para com as famílias das vítimas. "Essa coisa deveria ser imediatamente destruída", exige a carta, assinada pelo pai de uma vítima.

O povo do nordeste do Japão conquistou admiração mundial por sua dignidade estoica e espírito de coletividade após o desastre do dia 11 de março, que devastou um amplo trecho litorâneo e deixou mais de 20 mil pessoas mortas ou desaparecidas, além de centenas de milhares de desabrigados. Porém, hoje essa unidade está se desfazendo em meio a frustrações em cidades remotas, como esta, Minamisanriku, onde a população se sente abandonada.

Em algumas áreas atingidas pelo tsunami, particularmente as regiões mais prósperas nos arredores de Sendai, a remoção de milhões de toneladas de escombros está avançando rapidamente. Grandes instalações de descarte improvisadas estão moendo concreto e madeira para transformá-los em material para reconstrução. Mas nas regiões pesqueiras mais pobres no norte, ao longo do litoral montanhoso, muitas cidades mal terminaram tarefas básicas de sobrevivência.

Minamisanriku era uma afastada comunidade pesqueira sobre a qual poucos japoneses ouviram ouvido falar antes que 15 metros de agua do mar transformassem o local em um cenário de devastação - matando mil dos 17 mil moradores - e de heroicos esforços iniciais de resgate. Passados mais de seis meses, a região do centro ainda está cheia de carros deformados, pedaços de madeira de casas destruídas e as carcaças vazias de alguns edifícios de concreto sobreviventes, de aparência sombria. Só agora Minamisanriku acabou de realocar os últimos de seus residentes desabrigados para as 2.200 casas pré-fabricadas construídas em campos vazios. A maior parte da cidade estava sem serviço de água ou esgoto até recentemente. "As pessoas querem continuar morando na cidade, mas veja que bagunça", suspirou Minoru Sato, de 65 anos, contratado pela cidade para coletar escombros depois que o tsunami devastou a serraria onde ele trabalhava.

Os moradores de Minamisanriku dizem se sentir no limbo, esperando por algum sinal para empreender o mesmo esforço coletivo na reconstrução da cidade que mostraram ter ao tirarem pessoas dos escombros. Mas esse sinal ainda não apareceu. Um motivo para a paralisia civil é que o tsunami literalmente varreu o governo local, destruindo não apenas o centro de desastres, mas também os bombeiros, a delegacia, o principal hospital e a prefeitura, com todos os seus registros. O prefeito e outros funcionários públicos sobreviventes lutaram para estabelecer novos escritórios em trailers estacionados em quadras de tênis e só agora o governo municipal está retomando seus passos. A cidade ainda nem encontrou um local para colocar as 500 mil toneladas de escombros deixadas pelo tsunami. Equipes de trabalho empilharam temporariamente uma parte dos escombros ao longo da costa devastada, separados em pilhas enormes de metal retorcido, concreto quebrado e pneus - mas isso não pode ficar por lá permanentemente.

Os moradores se sentem negligenciadas por Tóquio, que, segundo os locais, está preocupada demais com a usina nuclear de Fukushima, 113 km ao sul, ou com a manobra política de agosto envolvendo a eleição de um novo primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, o sétimo em cinco anos. Funcionários da prefeitura afirmam não conseguir nem decidir como a cidade será reconstruída, quanto mais iniciar a reconstrução, sem a ajuda financeira de Tóquio. "Tentamos criar nossos próprios planos, mas o que podemos fazer até que o governo nacional se decida?", disse Kenji Endo, vice-prefeito de Minamisanriku. "As frustrações estão aumentando porque não vemos nenhum movimento em direção à reconstrução".

As insatisfações envolvem também o futuro do Centro de Gerenciamento de Desastres, cujo esqueleto vermelho se tornou um símbolo nacionalmente conhecido. Algumas pessoas querem preservá-lo como um monumento, mas outras o enxergam como um lembrete doloroso demais dos entes queridos que se foram. "Não podemos deixar que uma coisa assim divida a cidade, ou jamais nos recuperaremos", disse Ikuko Takahashi, 60 anos, cuja casa foi destruída junto com a clínica médica do marido, a um quarteirão do centro.

A cidade afirma que com um orçamento, no ano passado, de apenas US$ 40 milhões, não existe escolha a não ser recorrer ao governo central para bancar os altos custos da reconstrução. Algumas pessoas em Tóquio pediram a realocação de cidades vulneráveis como esta para o topo de montanhas próximas. Mas outras afirmam que o Japão já não pode mais lançar dinheiro em projetos como esses, que custariam US$ 3 bilhões apenas no caso de Minamisanriku, afirmam autoridades locais. Até que Tóquio resolva a situação, os moradores aqui sentem que estão na fila de espera.

Comentários


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thomas

diferentemente do terremotos em sichuan, onde 1 ano depois, todas as casas, hospitais, escolas, etc; estavam reconstruidas !!!

02.10.2011

 

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