Tarja - Hugo Chavez 2

Venezuela

Chávez participará das eleições de 2012, garante ministro

Ditador passou parte dos poderes ao vice e retornou a Cuba para quimioterapia

Tratamento contra câncer de Chávez em Cuba incluirá sessões de quimioterapia

Tratamento contra câncer de Chávez em Cuba incluirá sessões de quimioterapia (Juan Barreto / AFP)

O ministro das Finanças da Venezuela, Jorge Giordani, garantiu nesta segunda-feira que o ditador Hugo Chávez vai participar das eleições presidenciais no próximo ano. "Não há dúvidas de que, nas eleições de 2012, o presidente vai estar presente - e por muitos anos mais", afirmou em entrevista à TV oficial, Venezolana de Televisión.

Chávez, que entregou parte de seus poderes ao vice-presidente e retornou a Cuba no sábado para iniciar a quimioterapia, pediu aos venezuelanos no Twitter que ouvissem as declarações do ministro. O tempo que o tirano deve permanecer na terra dos irmãos Castro dessa vez é indeterminada. Há pouco mais de um mês, ele foi submetido a uma cirurgia de emergência para a retirada de um tumor maligno na região pélvica. Ainda não foram divulgados boletins médicos oficiais sobre o estado de saúde dele, nem foi detalhada a magnitude do câncer ou o local exato do tumor.

Leia também: Cronologia da doença que (quase) derrubou Hugo Chávez

Ausência - A viagem de Chávez a Cuba foi autorizada no sábado por unanimidade pelo Parlamento, de maioria governista. A Constituição venezuelana prevê que os congressistas autorizem qualquer ausência do presidente por um período superior a cinco dias. Também estipula que o órgão legislativo deve declarar a falta temporal do chefe de estado, quando for menor do que 90 dias. Caso a ausência se estenda, o Parlamento pode prorrogá-la por outros 90 dias ou decretar a ausência total dele.

Em junho, quando Chávez ficou em Cuba por quase um mês após o diagnóstico de câncer, o Parlamento não decretou sua ausência temporária e o vice Elías Jaua não assumiu interinamente. Desta vez, contudo, o caudilho delegou alguns poderes ao vice e a Giordani, como definir transferências orçamentárias dos ministérios, nomear funcionários de menor categoria e aprovar ou recusar recursos.

"Este é um decreto para delegar, não para entregar o governo, como querem alguns setores da oposição, (...) vou delegar um conjunto de funções como manda a Constituição", anunciou Chávez durante um conselho extraordinário de ministros que foi realizado o mesmo dia de sua partida a Havana. No poder desde 1999, o ditador é candidato de seu partido para as eleições presidenciais de 2012, quando articula um terceiro mandato de seis anos.

Cronologia

O ditador venezuelano ficou internado por quase um mês em Cuba, para tratar um câncer. Quando a imprensa começou a especular sobre a doença, o governo apressou-se em negar tudo. Mas, logo depois, o próprio caudilho admitiu que havia retirado um tumor maligno, e os aliados passaram a temer por seu futuro no poder.

  • 16 de julho Pela primeira vez em doze anos de governo, Chávez delega parte de seus poderes ao vice-presidente, Elías Jaua, e retorna a Cuba para iniciar a quimioterapia. Antes de deixar Caracas, o ditador dá mais uma de suas declarações emotivas e diz que "é tempo de viver".
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  • 4 de julho Quase um mês depois de ser internado em Cuba, Hugo Chávez retorna à Venezuela de surpresa. Em um discurso da sacada do Palácio de Miraflores, em Caracas, ele diz que ainda não venceu a batalha contra o câncer e que pode ter de deixar o país novamente - e em breve - para seguir o tratamento.
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  • 3 de julho Primeira autoridade venezuelana a detalhar a doença de Chávez, o ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, diz que o ditador retirou “por completo” e “a tempo” o tumor maligno e que seu processo de recuperação é “quase milagroso”. A TV cubana divulga novas imagens dele, fazendo caminhada e ao lado das duas filhas.
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  • 1º de julho O vice-presidente, Elías Jaua, insiste que o tiranete segue à frente da Venezuela e anuncia que ele será o “candidato da revolução” nas eleições presidenciais de 2012.
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  • 30 de junho No primeiro pronunciamento oficial desde a internação, e sem conseguir conter os rumores que só crescem, Chávez admite que está com câncer e que a cirurgia sofrida há 20 dias na região pélvica foi para a retirada de um tumor maligno. Ainda em Cuba, diz que “luta pela vida”.
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  • 29 de junho Após 18 dias sem ser visto publicamente, o tirano aparece em um vídeo transmitido pela TV estatal venezuelana, segurando o jornal do dia, para abafar os boatos de que estaria internado em estado grave. Mais magro, ele posa para fotos ao lado do cubano Fidel Castro.
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  • 28 de junho Temendo uma grave crise, em decorrência da ausência do tirano que não tem herdeiro político, a cúpula do governo cobra detalhes sobre o estado de saúde de Chávez e exige seu retorno ao país.
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  • 27 de junho Jornal venezuelano afirma que o ditador está com câncer. E enquanto os aliados dele se apressam para negar a informação, a mãe diz rezar por sua recuperação.
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  • 25 de junho O ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, diz que o ditador trava uma “batalha pela vida”, mas continua no comando do país. Jornal venezuelano diz que mãe e filhas dele embarcaram com urgência para Cuba.
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  • 24 de junho O Twitter de Chávez volta à ativa, mas o post não serve para abrandar os rumores sobre seu estado de saúde. Desconfia-se, até, que outra pessoa tenha tuitado em nome dele.
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  • 20 de junho O tiranete completa mais de uma semana sem fazer declarações e 15 dias longe do Twitter. O (incomum) silêncio começa a dar o que falar.
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  • 15 de junho A Assembleia Nacional autoriza Chávez a governar de Cuba até que esteja em condições de voltar a seu país.
  • 12 de junho Em entrevista por telefone ao canal de TV Telesur, o ditador diz que não sabe quando poderá retornar à Venezuela, mas não dá detalhes sobre seu estado de saúde.
  • 10 de junho Após cumprir agenda de viagens pela América Latina, Chávez é internado em Havana, onde passa por cirurgia de emergência para a retirada de um abscesso (acúmulo de pus causado por infecção) na região pélvica.

(Com agências France-Presse e EFE)

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