12/02/2010 - 13:05
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Caribe

Brasil deve permanecer no Haiti por mais cinco anos

Porto Princípe foi destruída pelo terremoto

Porto Princípe foi destruída pelo terremoto (AFP)

Um mês depois do terremoto que devastou o Haiti e deixou mais de 230.000 mortos, as forças armadas brasileiras estimam que a permanência no país irá se estender por mais tempo.

De acordo com o coronel Ajax Porto Pinheiro, comandante do Batalhão Brasileiro no Haiti, é dada como certa a presença brasileira até 2015. "Acho que nossa permanência aqui vai se prolongar por, no mínimo, cinco anos", disse o comandante à agência de notícias BBC. No Haiti, o Brasil comanda a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), criada em 2004.

No próximo dia 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de ministros e comandantes das Forças Armadas, irá ao Haiti para avaliar a situação no país e espera-se que seja anunciado um pacote de medidas para a reconstrução do país. Entre as ações previstas no pacote estão a construção de moradias e escolas e projetos de produção agrícola.

Luto - Nesta sexta-feira, o governo do Haiti decretou dia nacional de luto em memória das vítimas do terremoto. Uma cerimônia deverá ser realizada na capital, Porto Príncipe, próximo ao Palácio Nacional da Presidência, em ruínas, e à Praça Champ de Mars, transformada em um grande campo repleto de barracas para os sobreviventes que não têm nada e vivem na rua.

Passado um mês da tragédia, a preocupação das autoridades e da população do Haiti agora é a aproximação da temporada de chuvas e de furacões na região. A preocupação é ainda maior porque existem atualmente no país cerca de 1,2 milhão de desabrigados. Na quinta-feira, uma pesada chuva tropical, a primeira desde o tremor, complicou ainda mais a vida das pessoas que buscavam refúgio sob cobertores e tábuas.

A probabilidade de que um ou vários furacões mais fortes atinjam o Caribe é maior neste ano do que normalmente, advertiram os meteorologistas americanos, ressaltando a vulnerabilidade do Haiti. A temporada de furacões, que dura de 1º de junho a 30 de novembro, "será mais intensa do que o normal", explicou William Gray, da Universidade do Colorado (oeste dos Estados Unidos). Mas os haitianos devem antes enfrentar a estação das chuvas.

"O pior está diante de nós no Haiti", considerou o presidente da Cruz Vermelha Francesa (CRF) Jean-François Mattei, segundo o qual um "segundo drama se aproxima" com a chegada da temporada de chuvas dentro de seis semanas, com precipitações torrenciais, inundações e deslizamentos de terra. "Com a chuva que favorece a propagação de doenças, a situação vai se tornar cada vez mais complicada", disse Richard Kowalske, médico da associação americana Helping Hands. "Esta noite, vimos muitas crianças com muito frio. Poderá haver mais casos de malária ou de febre tifóide".

(Com agência France-Presse)

 

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