China

Justiça

'Braço-direito' de Bo Xilai é condenado a 15 anos de prisão

Estopim do maior escândalo político da China nas últimas duas décadas, o ex-chefe de polícia Wang Lijun escapou da pena máxima de 20 anos de cadeia

Wang Lijun, o ex-policial que detonou o maior escândalo político dos últimos anos na China, durante julgamento

Wang Lijun, o ex-policial que detonou o maior escândalo político dos últimos anos na China, durante julgamento (Reuters)

O Tribunal Intermediário de Chengdu, na China, condenou nesta segunda-feira a 15 anos de prisão o ex-chefe de polícia Wang Lijun, antigo "braço-direito" do ex-dirigente de alto escalão chinês Bo Xilai. Wang foi o estopim do maior escândalo político da China nas últimas duas décadas, que culminou com o afastamento de Bo da cúpula do Partido Comunista e na condenação de sua mulher, Gu Kailai, por envolvimento no homicídio do empresário britânico Neil Heywood. 

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O julgamento de Wang terminou na última sexta-feira, mas o veredicto só foi anunciado agora. Ele era acusado de quatro crimes: deserção, manipulação da lei em seu próprio benefício, abuso de poder e corrupção. Segundo a agência estatal Xinhua, Wang foi considerado culpado de todas as acusações. O ex-policial, no entanto, escapou da pena máxima de 20 anos, pois os promotores consideraram que ele colaborou nas investigações.

A pena de 15 anos inclui nove anos por corrupção, sete por manipulação da lei, dois por deserção e dois por abuso de poder, afirmou a TV estatal. "A sentença é considerada normal dentro da avaliação do alcance da punição segundo a lei chinesa", declarou o advogado de Wang Lijun, Wang Yuncai.

O caso – Ex-chefe de polícia de Chongqing quando Bo Xilai era secretário-geral do Partido Comunista chinês na cidade, Wang Lijun detonou o maior escândalo político do país nos últimos anos depois de ter se refugiado no consulado dos EUA em Chengdu, em 6 de fevereiro deste ano.

Três dias depois, ele deixou a legação diplomática americana "por vontade própria", segundo a imprensa estatal chinesa. No mesmo dia,  foi publicada uma carta atribuída a Wang na qual ele denunciava Bo Xilai por corrupção e ligação com o crime – na época, Bo era um dos políticos com maior projeção na China e, desde então, caiu em desgraça política.

Wang Lijun que também sugeriu que a morte do empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, em Chongqing, não tinha sido um acidente. Após as denúncias, Bo Xilai foi destituído de seu cargo e, quase de forma simultânea, sua esposa, Gu Kailai, foi acusada pelo homicídio de Heywood – mês passado, ela foi condenada à pena de morte pelo assassinato, mas teve a pena suspensa por um período de dois anos, punição que na China costuma resultar na prisão perpétua. 

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Como tudo começou?

As suspeitas tiveram início quando, em fevereiro deste ano, Wang Lijun, o chefe de polícia da cidade de Bo, Chongqing, se refugiou no consulado dos Estados Unidos em Chengdu. Ele teria pedido asilo político após discutir com Bo a respeito da morte do empresário britânico Neil Heywood.

Em 15 de novembro de 2011, o corpo de Heywood foi encontrado no quarto de um hotel em Chongqing, área administrada por Xilai. Ele havia morrido no dia anterior, e as autoridades alegaram que a causa de sua morte foi um ataque cardíaco causado por intoxicação etílica. O cadáver foi incinerado poucos dias depois sem uma autópsia prévia.

Analistas apontam que Wang temia ser assassinado por agentes do político chinês após ter dito que possuía provas do envolvimento da mulher de Xilai no caso. A decisão do chefe de polícia levou a uma investigação oficial que resultou no fim da carreira política de Xilai, acusado de corrupção, e na posterior detenção de sua esposa, Gu Kailai, pelo assassinato do britânico.

(Com agência EFE)

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