Diplomacia
Chen Guangcheng deve receber passaporte em 15 dias
Dissidente chinês que provocou crise com EUA já requisitou o documento
Chen Guangcheng, ao lado de sua mulher, Yuan Weijing, e filho (Reuters )
O dissidente cego chinês Chen Guangcheng, que protagonizou uma crise diplomática entre Estados Unidos e China no fim de abril após escapar da prisão domiciliar e ser abrigado por seis dias na embaixada americana em Pequim, deu o seu "primeiro passo concreto" para deixar a China e se exilar nos EUA. Chen e sua família preencheram nesta quarta-feira os formulários para a confecção de seus passaportes, revelou o ativista e advogado.
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A expectativa é que ele, a mulher e seus dois filhos recebam os documentos em um prazo de 15 dias. Funcionários da província de Shandong, onde Chen vivia, entregaram os papéis no hospital onde o dissidente está internado desde que deixou a embaixada dos EUA, há duas semanas. Ele e os familiares também já tiraram fotografias para os passaportes.
"Esse é o primeiro passo concreto em frente", disse Chen segundo a rede americana CNN. Oficialmente, o ativista defensor dos direitos humanos foi autorizado pelo governo chinês a estudar nos EUA. O governo americano, por sua vez, afirmou que já tomou todas as providências necessárias para admitir Chen no país – ele recebeu um convite para estudar na Universidade de Nova York.
"Estamos prontos quando ele e o governo chinês estiverem", disse na última terça-feira a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland. Segundo ela, o visto de estudante de Chen já foi liberado há mais de uma semana e o processo de admissão de Chen e sua família já foi finalizado pelos EUA, restando apenas a parte que cabe ao governo Chinês.
Denúncias – Chen Guangcheng, de 41 anos e cego desde os cinco, ficou conhecido na década de 1990 por denunciar abortos e esterilizações forçadas em sua província como parte da “política do filho único” do governo de Pequim. Em 2006, a revista americana Time o nomeou uma das pessoas mais influentes do mundo e, em 2007, concedeu a ele o prêmio Magsaysay, conhecido como o Nobel Asiático.
Em dezembro de 2010, Chen terminou de cumprir uma condenação por causar distúrbios e atrapalhar o trânsito, mas foi submetido junto com sua família à prisão domiciliar. Depois de quase um ano e meio, ele fugiu do cárcere privado em 22 de abril e se refugiou na embaixada dos Estados Unidos em Pequim, até ser conduzido a um hospital da capital chinesa, onde permanece sob custódia.