29/04/2010 - 08:03
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Paraguai

Em Amambay, o palco do atentado ao senador, tensão em alta e quadrilha em ação

Beatriz Ferrari e Domitila Becker
Alerta: integrantes das forças de segurança caçam guerrilheiros na região de Concepción

Alerta: integrantes das forças de segurança caçam guerrilheiros na região de Concepción (AFP)

O departamento de Amambay, no Paraguai, palco do atentado contra o senador Robert Acevedo na segunda-feira, está em estado de exceção há seis dias, juntamente com outros quatro departamentos (San Pedro, Concepción, Alto Paraguay e Presidente Hayes), na fronteira com a Bolívia e o Brasil. O estado de exceção tem como objetivo reforçar a operação de busca à guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP). A lei que o determina foi aprovada com ampla maioria pelo Senado. Ela permite que o Poder Executivo prenda e transfira pessoas sem mandado judicial, e proíba ou restrinja reuniões públicas e manifestações.

Tráfico e corrupção - O atentado de segunda aconteceu na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do Departamento de Amambay, na fronteira com o Brasil. O político ferido no ataque é dono de uma emissora de rádio e frequentemente critica o narcotráfico da região e a corrupção ligada a essa atividade. Acevedo acusou grupos de narcotraficantes que operam livremente em Amambay de ordenar o ataque, pelo qual teria sido pago cerca de 300.000 dólares. A polícia de Pedro Juan Caballero já prendeu quatro brasileiros acusados de participação no atentado.

De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, Josué dos Santos e Daniel dos Santos seriam ligados ao grupo criminoso Primeiro Comando Capital (PCC), o que não foi confirmado pelo Ministério do Interior. Na noite da segunda-feira, Nevailton Marcos Cordeiro e Eduardo da Silva haviam sido detidos também pela Polícia. Na terça, o próprio Robert Acevedo afirmou à imprensa paraguaia que tinha informações da ligação de dois brasileiros presos com o PCC. Um delegado ouvido pelos jornais locais disse inclusive que a polícia brasileira estava investigando essa ligação.

Aliados das Farc - O EPP, grupo formado por cerca de cem pessoas, faz uso da luta armada como forma de reivindicar mudanças no sistema político-econômico. Seus membros são apontados como responsáveis pela emboscada que matou um policial e três civis, no último dia 21, na região de Horqueta. O grupo é acusado também de ter praticado pelo menos quatro sequestros desde 2001 - o último deles foi o rapto de um pecuarista libertado no começo do ano, após três meses de cativeiro. Segundo autoridades paraguaias, o EPP tem ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Veja os departamentos afetados pelo estado de exceção:

(Com Reuters e Agência Estado)

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